EU NÃO ABANDONEI O BLOG!!!
Saudações fiéis leitores do ASIAN FURY!
Sentiram falta das atualizações do meu blog? Pois é, eu também!
Os últimos 2 meses foram bem agitados pra mim. Como muitos já devem saber, voltei do Japão em meados de janeiro depois de quase 10 anos no Japão. Depois de passar por um período de readaptação ao Brasil (juro que não reconheci São Paulo depois de 10 anos!!!!), regularizar todos os documentos e tal, finalmente separei um tempinho pra não deixar o blog morrer.
Hoje não postarei mais nada, mas aguardem atualizações pra breve.
PAINTED SKIN
畫皮
China, 2008
Diretor : Gordon Chan
Elenco : Donnie Yen, Vicky Zhao Wei, Betty Sun Li, Zhou Xun, Chen Kun, Qi Yu Wu
Pros leitores mais desinformados, Painted Skin é o filme mais recente de Donnie Yen, dirigido por Gordon Chan e também o candidato oficial de Hong Kong pra concorrer ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Oscar de 2009. Caso ainda não tenham visto o trailer :
Painted Skin é baseado no conto do mesmo nome presente no livro Estranhos Contos De Liao Zhai, um livro escrito por Pu Songling no fim do século XVII. Embora divulgado como um remake do Painted Skin dirigido por King Hu em 1993 (seu último e aparentemente mais deprezado filme), o enredo dessa nova versão é consideravelmente diferente, por isso prefiro pensar que são 2 filmes diferentes baseados no mesmo conto.


Wang Sheng (Chen Kun) é um general que, ao dizimar um campo de bárbaros com seu exército, resgata de suas garras uma jovem prisioneira chamada Xiao Wei (Zhou Xun). Num misto de pena e desejo, Wang leva a bela jovem pra casa sem saber que ela na verdade é um demônio que precisa se alimentar periodicamente de corações humanos para manter a aparência humana.

Donnie Yen
Por esse gesto heróico, Xiao Wei se apaixona por Wang Sheng e deseja se tornar sua esposa. O problema é que Wang já é casado com Pei Rong (Vicky Zhao Wei), que por sua vez é um antigo amor de Pang Yong (Donnie Yen), um ex-general que é recrutado de volta à cidade pra investigar uma série de assassinatos cometidos por um outro demônio (Qi Yu Wu), que arranca corações para levar à sua amada Xiao Wei.


Para auxiliar Pang Yong na caçada ao assassino, entra em cena Xia Bing (Sun Li, aquela adorável garota cega em Fearless), uma inexperiente caçadora de demônios que possui uma espada especial que é a única arma capaz de matar demônios.


Devido ao tema sobrenatural, Painted Skin é comumente classificado como um filme de horror com ação, quando na verdade é uma grande estória de amor que não deixa nada a dever às novelas coreanas mais bregas. É um desfile de amores platônicos que tem grandes chances de agradar ao público mais emotivo que adorou o romance em O Clã Das Adagas Voadoras (The House Of Flying Daggers).


Resumindo a teia de relações : Wang Sheng é amado por Peirong e Xiaowei, que são, respectivamente, amadas por Pang Yong e o demônio serial killer. E por fim, até a caçadora de demônios Xia Bing demonstra uma grande afeição por Pang Yong, por quem é salva diversas vezes ao longo do filme.


Horror mesmo esse filme tem muito pouco. Ação então, menos ainda! No entanto, confesso que gostei de Painted Skin. Apesar de ter poucas cenas de ação, a direção de Gordon Chan é segura o bastante pra conduzir a estória sem cansar o espectador, e a estória se desenrola num ritmo bem mais rápido do que eu esperava.


Aliás, em muitos momentos tive a sensação de que o filme foi bastante resumido na sala de edição, pois muitas cenas têm cortes abruptos, como se tivessem sido obrigados a encurtar o filme pra ter a duração enxuta de 103 minutos, bem abaixo dos filmes recentes do gênero. Talvez tenha sido isso mesmo, pois agora acabou de sair em Hong Kong um DVD director's cut duplo com 15 minutos a mais.


A atuação dos atores está excelente (o que talvez explique a escolha desse filme como candidato ao Oscar), com destaque pra Vicky Zhao Wei, que declarou em entrevistas que a tocante amargura de sua interpretação foi resultado de uma tática nada gentil do diretor. Durante as filmagens, que duraram 2 longos meses de inverno, o diretor e a equipe simplesmente não davam a mínima atenção à Vicky.


Quando ela acabava de filmar suas cenas, todos simplesmente a ignoravam. Ninguém ia lá conversar com ela, bricar, contar piada, nada. Ela caiu em depressão e foi necessária a presença de sua família nos sets pra ter condições psicológicas de continuar as filmagens. Segundo suas palavras, a dor da solidão foi tão grande que todas as lágrimas que vemos no filme são reais!

Vicky Zhao numa das cenas mais emocionantes de Painted Skin
A atuação de Zhou Xun como a astuta Xiao Wei também está excelente. Ela consegue transmitir apenas com o olhar sentimentos tão diferentes entre si como sensualidade, doçura, vulnerabilidade e sagacidade.


Zhou Xun
Os efeitos visuais estão ótimos, sem nenhum exagero. O destaque é o visual de Xiao Wei sem a pele humana, simplesmente horripilante. Aliás, a própria cena em que Xiao Wei tira a pele diante do olhar horrorizado de Pei Rong é excelente.


Xiao Wei tirando a pele (esq) e "pelada".
O único ponto negativo, como citei acima, é a falta de seqüências de ação. Painted Skin tem pouquíssimas lutas, e infelizmente nenhuma delas memorável. Basicamente, quem odiou o trailer (e pelo que vi na comunidade de filmes de kung fu no Orkut, não foram poucos!) vai igualmente odiar o filme todo, pois as poucas lutas são todas com espadas e cheias de cordinhas.


Os fãs que achavam que a partir de agora Donnie Yen seguiria apenas a linha mais "pé-no-chão" que vimos em Comando Final (SPL) e Flashpoint vão ficar desapontados.


Descontando apenas esse detalhe, Painted Skin é um ótimo filme que vai agradar em cheio as pessoas que gostam de uma bela estória de amor, daquelas em que no final a moral é "O amor vence tudo". Parece brega? Tudo bem, pode até ser, mas eu gostei! Qual o problema de ser romântico de vez em quando?


Nota : 7,5
MR. VAMPIRE
NO BOCA DO INFERNO
Não deixem de conferir no BOCA DO INFERNO (o popularíssimo site dedicado a filmes de terror) uma ótima resenha do mega-clássico Mr. Vampire, escrito pelo meu amigo Bruno C. Martino, do blog Bonga Shinbum. Clique na foto abaixo pra ler a crítica.
Como o BOCA DO INFERNO já conta com uma grande equipe mais do que apta pra comentar os filmes de terror tradicionais, aconselhei o Bruno a se especializar no horror asiático, especialmente os filmes de zumbis chineses, já que praticamente ninguém lá comenta filmes de terror asiáticos fora Ringu e seus genéricos. Além de Mr. Vampire, confiram o que o Bruno já escreveu sobre o japonês Wild Zero, o tailandês Sars Wars, e os chineses A História De Ricky, The Comet Strikes e We're Going To Eat You, que eu mesmo já cheguei a resenhar aqui.
DRUNKEN FIST
SHOWCASE
Pois é, me empolguei com o vídeo que fiz dedicado às lutas de tonfas e já fiz um novo vídeo, dessa vez dedicado ao estilo do bêbado, que também foi baseado num tópico do Orkut (veja o tópico aqui).
Como existem muito mais filmes que usam o estilo do bêbado do que tonfas, esse novo vídeo ficou bem mais longo, mas consegui deixar a edição um pouco mais dinâmica. Já peguei as manhas do programa de edição e o próximo vídeo certamente ficará bem melhor!
OK, eu sei que ainda existem mais filmes que usam o estilo do bêbado além dos 33 que consegui compilar. Quem sabe no futuro, quando eu tomar conhecimento de outros filmes que também utilizam drunken fist, eu não refaça o vídeo?
Por outro lado, teve alguns filmes que, apesar de ter algo de drunken no título, não tem nenhuma cena de drunken fist, como Shaolin Drunkard, Drunken Tai Chi, Come Drink With Me, Drunken Dragon, entre outros. Esses, obviamente, não entraram na coletânea.
Vejam o vídeo e depois digam nos comentários o que acharam, OK?
TONFA - SHOWCASE
Na comunidade de filmes de kung fu, no Orkut, um dos membros criou um tópico onde pediu pros outros membros relacionarem os filmes de porrada que tivessem alguma luta com tonfa, também conhecida como bastão policial, uma arma branca que é muito bonita quando bem manejada, mas que é relativamente pouco usada em filmes.

O tópico rendeu bem (vejam aqui) e cada vez que eu via uma tonfa sendo usada em algum filme, já ia lá no tópico registrar a informação. De repente me deu uma vontade de compilar todas essas cenas e editá-las num clipe pra postar no Youtube. E foi o que fiz! Vejam o resultado abaixo.
Por ser minha primeira experiência com edição de vídeos, achei que ficou muito bom. Tem algumas imperfeições, como algumas seqüências longas demais em comparação com o resto, especialmente as duas últimas cenas, pra caber dentro do tempo da música (Stronger Than Hate, do SEPULTURA), mas nada que incomode muito.
Espero que vocês curtam.
NINJAS & DRAGONS
忍者潛龍
China/Hong Kong/Japão, 1984
Direção : Ding Cheuk-Lun
Elenco : Junya Takagi, Dong Li, Ha Ching, Suen Gen Fa, Xu Li, Song Wen Hua, Lu Yun Ling, Rong Ro Pei, Li Zhong Ru, Li Bao Cheng
A primeira metade dos anos 80 foi o auge dos filmes de ninja tanto nos EUA (onde o sensacional Sho Kosugi reinava soberano) quanto em Hong Kong, nesse último graças a obras seminais como Five Element Ninjas e Ninja In The Dragon's Den.


E aposto que muita gente (inclusive eu) se lembrou do clássico de Corey Yuen ao ver pela primeira vez a capa de Ninjas & Dragons. E não é pra menos, já que a intenção dessa co-produção chinesa/japonesa era mesmo tentar repetir o sucesso de Ninja In The Dragon's Den.


Os produtores inclusive chegaram a ter contato com o próprio Hiroyuki Sanada na esperança de que ele pudesse estrelar esse filme, mas como Sanada estava bem ocupado na época com outros projetos, o escolhido foi Junya Takagi, colega de Sanada na JAC (Japan Action Club).


Takagi é Hayate, um jovem ninja que vai à China atrás de Kinosuke, um ninja traidor responsável pela morte de seu pai. Ao mesmo tempo, um general mongol planeja invadir a fronteira da China e um grupo de patriotas tenta impedi-lo.


Os caminhos de ambos se cruzam quando Hayate descobre que o ninja traidor está envolvido com o general mongol e então ele se junta aos patriotas para combater os mongóis e vingar seu pai.


Como citei acima, Ninjas & Dragons é um filme feito na esteira do sucesso de Ninja In The Dragon's Den. A produção foi bem esforçada e conseguiu fazer um bom filme sério de ninja. Por "filme sério de ninja" entenda-se um filme sem maluquices ou bizarrices como aquelas produções trash de Robert Tai ou Godfrey Ho.


O problema é que prum filme inspirado num clássico do porte de Ninja In The Dragon's Den, ser apenas bom é muito pouco, ou seja, Ninjas & Dragons é bem inferior à obra-prima de Corey Yuen. Ninjas & Dragons é divertido e tem ótimas lutas, porém falta um pouco mais criatividade nas cenas de ação.


Fora isso, tem também o problema com os atores chineses, que aliás, são completamente desconhecidos, pelo menos pra mim. Fisicamente eles têm uma performance impecável - a luta final em que um dos heróis luta contra Kinosuke com um nunchaku em cada mão é especialmente impressionante - mas infelizmente carecem muito de carisma.


O mesmo não se pode dizer de Junya Takagi, que merecia muito mais tempo em cena do que lhe é oferecido. Infelizmente seu personagem passa grande parte do filme como prisioneiro do general mongol, sem espaço pra poder exibir seu talento.


Porém, quando lhe é dado espaço, Takagi brilha mais do que qualquer outro no filme! Bonitão e com carisma de sobra, Takagi provou ser a escolha mais acertada pra substituir Sanada, pois além da boa aparência, suas habilidades nas artes marciais são tão boas - se não melhores - quanto as de Sanada.


Curiosamente, não obstante ser uma co-produção entre China, Hong Kong e Japão, Ninjas & Dragons é até hoje inédito no Japão. Mesmo no resto do mundo esse filme teve distribuição tão restrita que era considerado um filme extremamente raro, até que há uns dois anos atrás a Rarescope (o mesmo selo que lançou o ótimo The Dream Sword) resgatou do limbo uma cópia widescreen em bom estado de conservação e lançou em DVD na Europa e nos EUA.


Embora Ninjas & Dragons não seja lá tão bom quanto Ninja In The Dragon's Den, é um filme de ninja bem decente que vale uma cuidadosa conferida, nem que seja apenas pra confirmar aquilo que afirmei acima sobre Junya Takagi.


Nota : 6,5
Confiram abaixo o trailer original que acabei de postar no Youtube:
E uma das ótimas cenas de luta não-ninja do filme, também postado por mim:
Curiosidades
Depois de lerem os meus elogios ao astro do filme, muitos devem estar perguntando : "Ué? Se ele é tão talentoso assim, porque não ficou tão famoso quanto Hiroyuki Sanada?". Reconheço que eu também me questionei sobre isso e, ao pesquisar na internet, descobri que Takagi teve uma carreira bem insólita!

Nascido em 15 de julho de 1965, Junya Takagi se matriculou na JAC em 1981. Em 1983 ele estreou na TV japonesa com a série de ação Maken! Kung Fu Chan, que durou de janeiro a março, e sua continuação, Gekitou! Kung Fu Chan, que foi exibida entre abril e setembro do mesmo ano. A série fez grande sucesso na época e revelou Takagi como um dos talentos mais promissores desde Sanada.


Nesse mesmo ano Takagi ainda participou da versão live-action pra cinema do mangá/anime Iga No Kabamaru, ao lado de Hikaru Kurosaki (Jaspion) e do próprio Sanada, além de participações especiais de outros nomes famosos da JAC como a musa Etsuko "Sue" Shihomi, Kenji Oba e até Sonny Chiba. Quem tiver esse filme entre em contato comigo!!!!!
No ano seguinte, aos 19 anos de idade, Takagi filmou Ninjas & Dragons na China, onde sofreu um acidente que mudou o rumo de sua carreira. Durante as filmagens ele feriu seriamente o pé, o que talvez explique sua participação relativamente reduzida no filme. Ele ainda tentou seguir carreira em filmes de ação dirigindo, escrevendo e atuando no filme Bad History, em 1990, mas o seu pé continuava doendo muito devido às seqüelas do ferimento mal curado e decidiu mudar de profissão.

No começo dos anos 90 Takagi virou jornalista e fez fama ao investigar o submundo da Yakuza, publicando reportagens polêmicas. Em 1999 ele se canditou e foi eleito deputado da província de Fukuoka. Em 2003 ele se candidatou novamente mas não conseguiu ser reeleito. Então, em 2004, já com o pé completamente recuperado, ele escreveu, dirigiu e protagonizou os filmes Ryujin(龍神)-Legendary Dragon 1 e 2, baseados nas suas investigações sobre a Yakuza.


Capa dos DVD's de Ryujin-Legendary Dragon 1 e 2
Ao que consta, parece que ele é também instrutor de caratê da polícia de Tóquio!!!

Cena de Ryujin-Legendary Dragon
Ah, antes que eu me esqueça, nos anos 80 Takagi também foi cantor, chegando a lançar alguns singles e álbuns com músicas-temas da série Kung Fu Chan e outros.





Capa dos LP's lançados por Junya Takagi nos anos 80.
Versátil o sujeito, não?
THE FORBIDDEN KINGDOM
DVD Japonês Em Pré-Venda

O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom)
, a tão comentada super-produção juntando os dois maiores astros de filmes de kung fu de todos os tempos, Jackie Chan e Jet Li, estreou nos cinemas japoneses no dia 26 de julho, um mês antes de estrear no Brasil.Por outro lado, no Brasil o DVD (simples e aparentemente pelado de extras) vai ser lançado no dia 19 de novembro, mais de 2 semanas antes do Japão, onde o DVD (duplo, com luva externa e livreto colorido) será lançado somente no dia 5 de dezembro.


O pobre DVD brasileiro e o caprichado DVD japonês
Assim como o DVD de Shaolin Girl (que já recebi na quarta-feira, obrigado), quem comprar o DVD de The Forbidden Kingdom (que no Japão foi rebatizado de The Dragon Kingdom) pelo site Amazon.jp ganha 24% de desconto, ou seja, de 3,990 ienes o preço cai pra 3,092. Obviamente o meu já está encomendado.
Acredito que os leitores estão curiosos quanto à minha opinião sobre esse filme, certo? Eu já tinha baixado esse filme desde que uma versão screener caiu na net no dia seguinte ao lançamento nos EUA em meados de abril, mas estava aguardando a estréia nos cinemas japoneses pra poder assistir novamente, dessa vez na telona, pra só aí publicar uma resenha no ASIAN FURY. Fui ao cinema no começo de agosto, mas antes que eu pudesse escrever qualquer coisa, tive aquele acidente no dia 7 do mesmo mês. Depois disso, perdi completamente a inspiração pra comentar sobre esse filme e ficou por isso mesmo. Agora, aproveitando o lançamento em DVD, darei as minhas considerações de forma concisa.
Da mesma forma como eu nunca tive vontade de ver uma produção juntando Stallone com Schwarzenegger, eu não queria que fizessem um filme juntando Jet Li e Jackie Chan de jeito nenhum! Quando anunciaram que o tão "aguardado" projeto seria uma produção hollywoodiana dirigida pelo mesmo cara que dirigiu Stuart Little, não tinha como não torcer o nariz!!!! Eu tinha a mais absoluta certeza de que Forbidden Kingdom seria um dos maiores lixos da carreira de ambos. Provavelmente por causa disso eu achei esse filme tão bom!


Descontando alguns excessos desnecessários no uso de cabos (apesar desse recurso ter sido bem menos usado do que eu imaginava) as coreografias de Yuen Woo Ping são ótimas, como quase sempre. Os efeitos em CG estão de acordo com o contexto fantasioso do filme e não me incomodei. Apesar da luta entre Jet e Jackie ser muito boa, a melhor luta do filme é indiscutivelmente aquela no restaurante, onde a coreografia é puro Jackie Chan.
Talvez eu tenha julgado mal Rob Minkoff injustamente, pois por todas as citações de filmes clássicos de kung fu jogadas ao longo do filme, ele parece ser um grande fã e conhecedor do gênero. Eu não gostei mesmo foi do protagonista Michael Angarano, que só conseguiu me despertar raiva com aquela cara de tonto, apesar da boa atuação física na seqüência final.


Resumindo, The Forbidden Kingdom é divertido, não exagera na comédia e tem boas lutas. Como devem ter percebido, minhas palavras não foram muito diferentes das de outros colegas blogueiros. Talvez por isso eu tenha perdido vontade de comentá-lo no ASIAN FURY.
Abaixo, duas versões do cartaz japonês com o título The Dragon Kingdom, a da esquerda escrita em inglês e a da direita em katakana (ドラゴン キングダム), um dos alfabetos japoneses comumente usados pra se escrever palavras estrangeiras. Clique nas imagens para ampliá-las.
Curiosamente, na capa do DVD japonês está escrito The Forbidden Kingdom mesmo.
THE CLOSE ENCOUNTER
OF VAMPIRE
(aka DRAGON VS. VAMPIRE)
殭屍怕怕
Hong Kong, 1986
Direção : Yuen Woo Ping
Elenco : Yuen Cheung Yan, Leung Kar Yan, Yuen Shun Yi, Chris Yen, Yuen Yat Chor
De todos os filmes que Yuen Woo Ping dirigiu desde a sua estréia na função em Punhos De Serpente (Snake In The Eagle's Shadow), o filme de hoje é certamente o mais raro e obscuro. Confesso que eu mesmo só fui conhecer esse filme quando pesquisei sobre a carreira de Chris Yen, irmãzinha de Donnie Yen, que teve em The Close Encounter Of Vampire a sua estréia no cinema.


Esse filme é tão raro que talvez uma das únicas versões existentes no mundo seja o VHS japonês, raríssimo por ter sido lançado há mais de 20 anos atrás. Até mesmo nos sites oficiais da Chris Yen (na verdade o site provisório, pois o oficial ainda está em construção) e Leung Kar Yan só têm disponível a capa desse VHS japonês, nada de poster original ou capa do VHS chinês.


The Close Encounter Of Vampire foi uma tentativa de Yuen Woo Ping pegar carona na onda de filmes de zumbis saltitantes (os famosos "kyonshi", como ficaram conhecidos entre fãs do mundo todo) que pipocaram na segunda metade da década de 1980. Muitos leitores inclusive já devem ter percebido a malandragem do título: uma simples combinação dos nomes das 2 obras-primas que definiram o gênero, The Close Encounter Of The Spooky Kind (ou simplesmente Spooky Encounters), de Sammo Hung e o excepcional Mr. Vampire, de Ricky Lau.
Spooky Encounters & Mr. Vampire
Em uma vila isolada na China, os mortos são enterrados mas não perecem (ou não apodrecem, pra vocês entenderem melhor). Pra esses cadáveres não se transformarem em kyonshis é necessário realizar a cada 50 anos uma cerimônia taoísta de "limpeza" de maus espíritos. Durante a tal cerimônia, o atrapalhado assistente do sacerdote comete um erro e esquece de "limpar" um túmulo, despertando mais tarde um furioso kyonshi e seu pequeno filho (!!!).


Kyonshi pai e kyonshi filho
Leung Kar Yan é uma espécie de Van Helsing chinês, um exterminador de kyonshis itinerante que descobre pegadas suspeitas na estrada e vai imediatamente alertar a povo local sobre a ameaça de um ataque de kyonshi. O sacerdote taoísta da vila (Yuen Shun Yi) recusa-se a acreditar no aviso, já que a cerimônia de "limpeza" foi realizada e não haveria motivo pra um kyonshi andar à solta. Leung não desiste e vai à caça do kyonshi sozinho.


Vocês devem estar se perguntando onde entra a Chris Yen nessa estória, certo? Ela é a discípula mais velha entre os discípulos mirins de um mestre de kung fu (Yuen Cheung Yan) que ganha a vida com apresentações de ópera chinesa. Por um acaso do destino, essas crianças fazem amizade com o filho do kyonshi sem terem a mínima noção do perigo. Eles chegam até a defender o kyonshi júnior do ataque do exterminador Leung. Mas no final todos juntam forças pra combater o kyonshi pai, que é realmente muito feroz.


Depois de ter lido a entrevista de Chris Yen no site Kung Fu Cinema em 2004, onde ela conta como as filmagens eram uma loucura, com Yuen Woo Ping gritando com todos no set num regime de treinamente praticamente militar, pensei que sua participação fosse maior, com várias cenas de luta. Imaginem a minha decepção ao perceber que as únicas cenas onde Yen exibe suas habilidades físicas são essas do video abaixo.
Sendo esse filme um clone descarado do grande hit Mr. Vampire (e também de Mr. Vampire 2, já que aqui temos até uma criança kyonshi), e conhecendo as insanidades já realizadas pelo Clã Yuen nos mais do que criativos Shaolin Drunkard e Miracle Fighters, imaginei que The Close Encounter Of Vampire fosse um clone tão bom quanto outros clones excelentes como Thunder Cops, Magic Cop e até Spooky Encounters 2. Infelizmente não é.


A impressão que tive é que o Clã Yuen gastou quase toda a criatividade nos filmes anteriores e sobrou poucas boas idéias pra se usar aqui. Claro que tem algumas idéias interessantes aqui e acolá, principalmente nas confusões em que Leung se mete ao tentar combater o kyonshi sozinho, mas no geral esse filme carece um pouco daquelas desesperadas e hilariantes seqüências de perseguição que caracterizam o gênero. A graça desse tipo de filme é quando as pessoas comuns precisam fugir de kyonshis e o sacerdote taoísta (quase sempre interpretado pelo saudoso Lam Ching Ying) aparece com um feitiço novo pra combatê-los. Mas no caso desse filme, tanto o exterminador quanto o sacerdote são tão medrosos e trapalhões, que as cenas onde encaram os kyonshis se resumem a gritarias e correrias pouco inspiradas.


Pode ser que eu esteja sendo rigoroso demais ao avaliá-lo de forma tão desfavorável, afinal The Close Encounter Of Vampire não é exatamente um filme ruim. Na verdade é até agradável e divertido em alguns momentos. O problema é que os outros filmes de kyonshi são bem mais divertidos. Agora eu entendo por quê esse filme é tão obscuro.


Nota : 6.0
Curiosidades
O termo kyonshi usado entre os fãs do gênero é na verdade a pronúncia japonesa (キョンシー) do cantonês keung sze (pronuncia-se "kyonsí", e em caracteres chineses se escreve 殭屍, que significa "cadáver rígido"). Acredito que o motivo pela qual a pronúncia japonesa tenha sido adotada internacionalmente é que em nenhum outro país esse gênero fez tanto sucesso quanto no Japão. Além de Mr. Vampire, o sucesso mais estrondoso no Japão foi uma série de filmes taiwaneses chamado Hello Dracula, protagonizados pela heroína taoísta mirim Tenten (Shadow Liu), que gerou até uma série de TV que foi uma febre entre a criançada. O vídeo abaixo (infelizmente, só pra quem entende japonês) mostra muito bem o sucesso no Japão na época.
O sucesso da personagem Tenten foi tão retumbante que a atriz taiwanesa Shadow Liu desenvolveu uma carreira sólida no Japão desde o fim dos anos 80, onde estrelou comerciais, gravou CD's (inicialmente como cantora-solo, posteriormente com o grupo Kuro Buta All Stars), lançou um livro de fotos e foi apresentadora de programas de variedades na TV japonesa. Atualmente é atriz contratada dos estúdios Shochiku, mas ela ainda participa esporadicamente de novelas taiwanesas. Mais informações nos fansites da Tenten, da Shadow Liu e em seu blog oficial.

Shadow Liu
Não tenho certeza qual foi o primeiro filme sobre kyonshis produzido em Hong Kong, mas acredito que o primeiro filme a misturar kyonshis com kung fu tenha sido Spiritual Boxer Part 2 (ou The Shadow Boxing) dirigido por Lau Kar Leung em 1979. A clássica co-produção Hammer/Shaw Bros de 1974, A Lenda Dos 7 Vampiros (Legend Of The 7 Golden Vampires), não conta, pois além dos zumbis/vampiros chineses desse filme serem bem diferentes dos clássicos kyonshi, não tem a presença de nenhum sacerdote taoísta pra combatê-los.
The Spiritual Boxer Part II & Legend Of The 7 Golden Vampires
A idade correta de Chris Yen é uma incógnita, pois não existe registro do seu ano de nascimento em nenhuma página da internet. Apesar dessa carinha de adolescente, certamente já deve estar na casa dos 30, mas ela espertamente omite o ano de nascimento em seu site oficial.

Deduzo que ela deva ter no mínimo uns 34 anos de idade, pois em The Close Encounter Of Vampire, que é de 1986, ela aparentava ter uns 12 ou 13 anos. Não seria exagero nenhum, visto que Donnie Yen já tem 45. É pouco provável que eles tenham muito mais do que 10 anos de diferença.

Falando em Donnie Yen, ele chegou a ajudar na coreografia da irmãzinha no filme. Vejam abaixo algumas fotos dos bastidores de The Close Encounter Of Vampire que peguei do site provisório da Chris Yen, ligado ao site oficial do irmão.




GRANDE ESTRÉIA
NOS CINEMAS JAPONESES
Amanhã, dia 1 de novembro, estréia em todo Japão o aclamado épico do grande John Woo, Red Cliff.
Praticamente todos os meus amigos admiradores de cinema asiático já tem uma cópia desse filme, mas eu resolvi esperar um pouco pra ter o prazer de vê-lo no cinema em toda a sua glória original!
Apesar de atualmente eu ter todo o tempo livre do mundo pra conferir logo esse filme, eu só irei ao cinema na quinta feira pois é dia de promoção e os ingressos custam quase a metade do preço!!! Por enquanto fiquem só com os scans em alta resolução dos folhetos de divulgação. É só clicar nas imagens para ampliá-las.
E não deixem de ler as ótimas críticas dos meus amigos Heráclito Maia e Jorge Soares.
ICHI
Primeira Impressão
Japão, 2008
Direção : Fumihiko Sori
Elenco : Haruka Ayase, Takao Osawa, Shido Nakamura, Riki Takeuchi, Yosuke Kubozuka, Tetta Sugimoto
Antes de Ichi o único filme do diretor Fumihiko Sori que eu já tinha assistido era Ping Pong, um filme que muita gente achou genial, mas eu achei simplesmente chato. Infelizmente Ichi também segue a mesma linha.
Quando vi aquele pequeno teaser que postei em maio, achei que fosse um chambara comercial de ritmo ágil estilo Azumi. Mas pelo trailer oficial já vi que não seria bem assim.
Ichi basicamente tem todos os elementos que não gosto num filme de ação : ritmo moroso, excesso de slow motion nos combates, sangue digital e duração maior do que o necessário devido, principalmente, às famigeradas "pausas de efeito" que todo diretor que se acha sofisticado insiste em usar.

Riki Takeuchi e Shido Nakamura interpretam os vilões mais exagerados e estereotipados que já vi. Shido é o chefão dos bandidos que é caolho e tem o rosto deformado, e Riki faz exatamente a mesmíssima coisa que fez nas centenas de filmes de Yakuza que ele vem fazendo nos últimos 20 anos. Interpretação cartunesca e irritante.
Provavelmente o único ponto positivo desse filme foi algo que li num comentário no site Twitch : a sexualização do personagem Zatoichi pra ter mais apelo pro público otaku. Tenho certeza que nem o mais ardoroso fã de Shintaro Katsu vai reclamar de ver a gracinha da Haruka Ayase fatiando bandidos em cena.


Fotos da Haruka muito mais interessantes do que o filme.
Mas só isso é muito pouco pra dizer que é um filme recomendável pra quem quiser ver um bom filme de ação.
Com certeza vai ter muita gente que vai adorar esse filme. Já eu, sinceramente, achei decepcionante.
Nota : 4,5
THE SHAOLIN MONK FIGHTS BACK
(aka THE WANDERING MONK)
遊方和尚
Taiwan, 1980
Direção : Cheung Wang Gei
Elenco : Lin Hsiao Hu, Lee Bing Hung, Tsai Hung, Cliff Ching Ching, Chan Chau Yin


Com um elenco de desconhecidos,onde o único rosto familiar pra mim é o vilão interpretado pelo veterano Tsai Hung, eis um filme que eu realmente não esperava muita coisa e tive uma bela surpresa!


Um garoto rebelde (Lin Hsiao Hu) decide aprender kung fu com um monge viajante (Lee Bing Hung) pra se vingar de um falso médico que matou seu pai e transformou sua mãe numa prostituta. Ao chegar numa cidade tiranizada pela seita Ying Yang, ele descobre que o líder dessa seita é o assassino de seu pai.


Cansados dos abusos cometidos por essa seita, o garoto, alguns mestres de kung fu e agentes do governo juntam forças para armar uma emboscada e prender o líder da seita.


Nesse enredo mais do que clichê, o monge que dá nome ao filme é praticamente um personagem secundário. A luta que fecha o filme é entre ele e o líder da seita, mas sua participação no geral é relativamente pequena.


As lutas são boas, nada tão extraordinárias como os clássicos de Joseph Kuo ou Jackie Chan, mas satisfatórias. Na verdade o que faz falta nas coreografias são aquelas macaquices que dão charme aos filmes de Li Yi Min, Yuen Biao e dos Venoms.


Talvez por isso a performance do garoto seja meio apagada se comparado a outros garotos prodígios de filmes de kung fu. Ele luta mais como um adulto, sem fazer muito proveito da agilidade característica da pouca idade.


Mas de um modo geral, The Shaolin Monk Fights Back é um shape bem decente e redondinho que, se não é uma obra tão marcante dentro do gênero, pelo menos fornece 1 hora e meia de ótimo entretenimento.


Nota : 7,0
Curiosidade


A primeira coisa que notei nesse filme é que Lee Bing Hung, o ator que faz o monge do título, nem parece chinês, mas no máximo um mestiço que lembra bastante Reese Madigan, aquele ator americano que foi protagonista do tolo American Shaolin, uma daqueles filmes que o estúdio independente de Hong Kong Seasonal Films (o mesmo estúdio que produziu Drunken Master) produziu nos EUA pra tentar penetrar no mercado americano.

SHAOLIN GIRL em DVD
Pré-Venda
Demorou, mas finalmente um dos maiores hits japoneses de 2008 vai sair em DVD e Blu-ray.
Folheto de divulgação do lançamento em DVD
Shaolin Girl, o spin-off japonês de Kung Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer) estreou nos cinemas japoneses no início de maio. Normalmente um filme que estréia em maio já está disponível em DVD em setembro ou outubro, mas no caso de Shaolin Girl, por ter ficado mais de 2 meses em cartaz, seu lançamento em DVD e Blu-ray ficou pro dia 5 de Novembro.
Interior do folheto
Como todo grande lançamento japonês, o DVD de Shaolin Girl vai ser duplo e com uma produção caprichadíssima. Luva externa, estojo digipack, livreto colorido de 16 páginas e, o mais importante, legendas em inglês, algo relativamente raro em DVD japoneses.
Verso do folheto
O preço normal - aqui no Japão os CD's e DVD's são tabelados - é 4,935 ienes (cerca de US$ 50,00), mas no Amazon.jp tem uma incrível promoção de pré-venda. Quem encomendar esse DVD desde já ganha um desconto de 24% (quase 1/4 do valor total!!!) e pagará apenas 3,751 ienes!
O meu já está encomendado, claro.
E quem ainda não leu a minha resenha de Shaolin Girl, clique aqui.
THE KING SWINDLER
龍父虎子
Taiwan, 1993
Direção : Chu Yen Ping
Elenco : Sammo Hung, Sandra Ng, Tok Chung-Wa, Liu Chun, Hiu Hiu, Kenny Bee, Yeung Hung
Dentre todos os grandes talentos gerados pela Escola De Ópera de Pequim do mestre Yu Jim Yuen, Sammo Hung pode não ser o mais popular (essa coroa ninguém tira de Jackie Chan!), mas certamente foi o mais prolífico e versátil, tendo se envolvido em praticamente todos os gêneros existentes no cinema de HK, desde os tradicionais kung fu old school estilo basher (Hapkido) e shape (Magnificent Butcher), passando por thrillers policiais (SPL), comédias românticas (Paper Marriage), horror (Spooky Encounters), filmes de guerra (Eastern Condors) e até tolices infantis como esse The King Swindler.

Sammo Hung é Yuan Chin-Chih, um desocupado que ganha a vida nos bares, trapaceando em jogos de azar. Um dia ele vai preso por jogatina e agressão física. A policial e mãe solteira Chang (Sandra Ng) cuida de Hao-hao, filho de Yuan, até que ele acabe de cumprir a sentença. Durante essa estada na casa de Chang, Hao-hao aprende a gostar de viver numa família normal e, quando seu pai sai da prisão, convence-o a arranjar um emprego honesto e tenta aproximá-lo de Chang para todos viverem felizes para sempre como uma família normal. Comovente, não?


Alguns já devem estar perguntando : "Ué? Esse não é um filme de Sammo Hung? Onde entram as lutas?". Ah, caros leitores, esqueci de dizer que o emprego honesto que Sammo arruma é de lutador de rua, he, he, he.


Mas isso não significa que The King Swindler tenha boas cenas de luta. Talvez a única luta que vale a pena mencionar seja uma briga de bar onde Sammo usa o estilo do bêbado - se não me engano, a primeira e única vez que Sammo usa esse estilo desde Operação Dragão Gordo (Enter The Fat Dragon) - e seu filho o ajuda usando um par de salames como nunchaku!!!!!


Confiram a cena :
Infelizmente o resto das lutas do filme são fraquinhas; decepcionantes em se tratando de Sammo Hung.


Ao lado de Godfrey Ho, Chu Yen Ping talvez seja um dos diretores com a pior reputação do cinema asiático. No entanto, Godfrey Ho tem a seu favor alguns filmes muito bons em sua extensa filmografia, sem esquecer que seus piores filmes são daquela fase coreana pelos estúdios Asso Asia/ IFD Films em que ele dava aulas para cineastas coreanos iniciantes. Existe um rumor de que esses filmes na verdade eram dirigidos por esses coreanos incompetentes mas Godfrey Ho assumia os créditos pela bomba, em outras palavras, a possibilidade desses lixos terem sido realmente dirigidos por Ho é pequena.


Por outro lado, Chu Yen Ping é um cineasta do qual não consigo me lembrar de nenhum filme que possa ser considerado elogiável. E The King Swindler não mudou em nada essa situação.


Quem já conferiu outras porcarias dirigidas por Chu Yen Ping como Fantasy Mission Force e até A Book Of Heroes (que só se salva pelas excelentes lutas) já deve ter percebido sua queda pra piadas estúpidas. Acho que a expressão "humor de banheiro" nunca serviu tão bem pra descrever um tipo de humor como a que vemos em The King Swindler. Só pra se ter uma idéia, muitas das piadas mais imbecis do filme são relativas a flatulência e coisas do nível.


Todos os personagens do filme soltando um "barrão".
Mas não posso negar que consegui dar umas boas gargalhadas numa cena em que Sandra Ng (sem dúvida a minha atriz cômica favorita), disfarçada de garçonete numa operação policial, camufla uma micro-câmera sob as axilas cabeludas!


Sandra Ng e seu sovaco peludo.
A grande qualidade de Sandra Ng como comediante é que ela parece não se importar em fazer papéis extremamente ridículos, seja em comédias non-sense como os filmes de Stephen Chow ou em girls with guns como Operation Pink Squad e a série The Inspector Wears Skirt. Suas caretas são impagáveis!


Apesar de todos os defeitos que apontei, uma das qualidades desse filme que preciso reconhecer é que em nenhum momento ele cai no melodrama barato tão comum nos filmes com o mesmo tema. Sempre que aparece alguma situação propícia pra provocar uma choradeira no espectador, o diretor coloca um desfecho feliz ou alguma piada estúpida. Menos mal.


Ah, e pra agradar mais a criançada, tem também aquelas manjadas seqüências à lá Esqueceram De Mim em que crianças espertinhas aplicam trotes em adultos malvados. A criançada deve ter se borrado de rir no cinema...
Nota : 4,0
Curiosidade
Apesar de Sammo Hung aparecer fantasiado de Tartaruga Ninja na capa do DVD, não tem nenhuma cena com essa fantasia no filme. Essa fantasia é só uma alusão ao apelido do personagem de Sammo no filme, "Oriental Turtle", inspirado nas próprias Tartarugas Ninjas.
ICHI
Estréia 25 de Outubro
Eu já tinha comentado de leve nesse post aqui, mas agora é pra valer! No próximo sábado estréia nos cinemas japoneses ICHI, versão feminina do samurai cego Zatoichi.
O trailer oficial já está disponível no site oficial há alguns meses.
Prefiro não expressar nenhuma opinião enquanto não assistí-lo. Por enquanto fiquem com os scans em alta resolução do panfleto de divulgação que peguei no cinema quando fui assistir Ponyo On The Cliff By The Sea. É só clicar na imagem.
Frente e Verso
THE DREAM SWORD 夢中劍 Taiwan, 1979 Direção : Li Chao-Yung Elenco : Chung Wa, Lung Fei, Yueh Hua, Nora Miao, Doris Lung, Chiang Ming
Não tenho certeza, mas já devo ter comentado aqui no ASIAN FURY que wuxia não é exatamente o meu gênero favorito. Porém, como colecionador e apreciador de cinema asiático em geral, sinto obrigação de deixar o preconceito de lado e conferir, na medida do possível, todos os tipos de filmes de ação orientais. Adaptando à minha vida de cinéfilo o sábio preceito bíblico "Conheceis de tudo e retenha o que é bom", aprendi que em absolutamente todos os gêneros e sub-gêneros de filmes de ação existem filmes bons e ruins. The Dream Sword é uma dessas honrosas exceções dentro de um gênero do qual não sou tão fã.


Antes de mais nada, só um esclarecimento : a tal "Espada Dos Sonhos" do título não é o nome de uma arma invencível como descreve erroneamente a sinopse na contra-capa do DVD, mas sim um trio de guerreiros que se juntam para combater a injustiça no país. Esses 3 lutadores são o erudito Hsia Shang Chou (Chung Wa), seu discípulo especialista no manejo de machado, Fan Chih (Lung Fei), e o espadachim Li (Yueh Hua).

A Espada Dos Sonhos : Lung Fei, Yueh Hua e Chung Wa
Com o país dividido nas mãos de 5 tiranos mestres de kung fu, a "Espada Dos Sonhos" parte numa jornada para unificar o país e conquistar a supremacia no Mundo Das Artes Marciais. A sinopse do filme pode ser bem resumida assim, mas na verdade a estória é muito mais complicada, cheia de intrigas, traições, alianças frágeis e dezenas de personagens secundários, como todo bom wuxia que se preze. O roteiro tem tanta reviravolta que no fim das contas o desfecho é até previsível.


E pra confundir mais ainda a cabeça do espectador, quase todos os homens do filme usam o mesmo tipo de cabelo e aquelas sobrancelhas levantadas que caracterizam guerreiros destemidos. Admito que tive que assistir esse filme umas 3 vezes pra conseguir entender tudo sem me atrapalhar com os nomes e rostos.


Apesar da trama confusa, o filme consegue manter a atenção por causa das ótimas cenas de luta, bem acima do padrão dos wuxias independentes dessa época. Aliás, vou ser mais justo e dizer que os combates de espada são bons, mas nada fora do comum.


O grande diferencial de The Dream Sword é a brilhante coreografia das lutas de machado. Em um dos raros filmes onde não é o vilão, Lung Fei nunca apareceu tão bem num filme! Jamais pensei que um enorme machado fosse uma arma que ficasse tão bonita numa luta. OK, me lembro que na seqüência final de Five Element Ninjas tem uma luta espetacular com machados, mas achei que fosse um caso isolado.


O detalhe que achei mais curioso nesse filme é que Hsia Shang Chou é mestre de Fan Chih, mas não domina o uso do machado. Ele desenvolveu técnicas de manejo de machado somente através de desenhos, imaginando os movimentos do adversário e criando o contra-ataque. Assim ele passa os desenhos para seu discípulo, que o estuda e treina seus movimentos.


Vejam abaixo a seqüência de treinamento de Fan Chih.
De resto, todos os elementos que caracterizam um wuxia estão lá : cenários suntuosos e cheios de panos coloridos, uma estória trágica de amor, diálogos que parecem mais poesias do que simples conversas, armas secretas, etc.


Falando em armas secretas, a arma secreta de uma das vilãs, Tzu Yi-Chun (Nora Miao, quando ainda era bonita...) são flores explosivas!!!! Só no mundo dos wuxias mesmo...


Pra quem, como eu, não se considera muito fã de wuxias mas tem interesse em pelo menos conhecer os bons exemplares do gênero, uma conferida em The Dream Sword não é uma má idéia. Pode não ser excelente como Jugular Blindada (Last Hurrah For Chivalry, talvez o meu wuxia favorito!), mas só as lutas de machado já valem o filme.


Nota : 7,5
A quem estiver interessado, esse DVD foi lançado nos EUA pela BCI Eclipse, dentro da coleção Rarescope, especializada em filme raríssimos com a melhor qualidade possível, e sempre em widescreen. Esse DVD é um double-feature que vem também com o filme A Sword Named Revenge, outro wuxia muito bom. O selo inglês Greenfan DVD também está pra lançar The Dream Sword em DVD, aparentemente tirado da mesma matriz da Rarescope.


Esse é um preview do DVD da Greenfan.
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