COWEB

戰無雙

Hong Kong, 2009

Direção : Xiong Xin Xin (Hung Yan Yan)

Elenco : Jiang Lu-Xia, Sam Lee, Kane Kosugi, Eddie Cheung, Mike Moller, Wanja Götz


Depois da Tailândia impressionar o mundo com o talento de Jeeja Yanin no filme Chocolate, era mais do que previsível que cedo ou tarde Hong Kong iria reagir. A resposta veio na pele de Jiang Lu Xia, campeã chinesa de wushu e uma das finalistas do reality show The Disciple, que Jackie Chan produziu em 2008 pra descobrir algum novo talento que possa dar continuidade ao seu legado.


Dirigido por Hung Yan Yan, veterano coordenador de dublês que no começo da carreira foi dublê oficial de Jet Li, a intenção dele foi clara desde o começo : ser rival declarado de Chocolate. Inclusive numa entrevista no site HK Cinemagic ele deu umas alfinetadas nos tailandeses, dizendo que em algumas cenas de Chocolate o uso de dublês era bem visível, mas que em Coweb Jiang Lu Xia não usaria absolutamente nenhum dublê. Bem, quanto a isso eu não discuto, até porque pra mim tanto faz se um ator usa dublês ou não, contanto que o filme seja bom.


Aí chegamos à grande questão : Coweb é realmente tão bom assim?

Hung Yan Yan que me perdoe, mas em comparação a Chocolate, Coweb é bem inferior em vários aspectos.

Primeiro aspecto : a protagonista. Além de uma beleza natural e inocente, Jeeja tem um carisma fora do comum e é boa atriz. Já a andrógina Jiang Lu Xia não é bonita (sem polêmica; sei que tem quem a ache atraente, mas pessoalmente ela não faz o meu tipo) nem tem carisma, E sua interpretação é comparável a Steven Seagal : passa o filme todo com a mesma expressão!

Bonita? Eu não achei...

Quanto às habilidades físicas, não há do que reclamar. Ela é ágil e tem movimentos rápidos e precisos. As coreografias também são muito boas, embora eu esperasse que fossem melhores.


O que nos leva ao segundo aspecto : o modo de filmar as lutas. Sendo que o diretor é um coordenador de dublês tão experiente, as lutas são incrivelmente mal filmadas! Nas entrevistas ele se gabava de que as lutas seriam filmadas em takes longos, bem ao estilo old-school. O problema é que as lutas são filmadas muito de perto e perdemos muitos detalhes da coreografia. Em muitos momentos parece que a câmera não consegue acompanhar os movimentos dos atores e fica perdida, sem conseguir enquadrar direito a cena.

Terceiro aspecto : o enredo. A estória de Chocolate, embora inusitada pela protagonista autista, era bem simples, sem reviravoltas desnecessárias na trama. Por outro lado, Coweb “tenta” – e fica só na tentativa mesmo - oferecer um roteiro mais estruturado com um toque de mistério e a já manjada “revelação surpresa” no final.

Jiang Lu Xia é Nie YiYi, uma instrutora de wushu na China que recebe a proposta de trabalhar em Hong Kong como guarda-costas da esposa de um magnata depois de perder o pai num acidente. Quando a esposa de seu patrão é seqüestrada, ela é obrigada a participar de lutas ilegais transmitidas via internet pra apostadores do mundo todo para salvá-la. Daí o nome do filme, Combat Web.

Nas mãos de um diretor mais experiente talvez esse roteiro tivesse rendido muito mais. Infelizmente é perceptível em Coweb que Hung Yan Yan tem muito a aprender ainda nesse ofício. Se a intenção era sutilmente insinuar ao longo do filme qual era a surpresa final, então o diretor não tem sutileza nenhuma, pois desde o segundo terço do filme ele mostra personagens-chave da trama em comportamentos suspeitíssimos, deixando o desfecho mais do que previsível.

E mesmo a cena em que o pai de YiYi morre bem no começo do filme, um detalhe completamente irrelevante na estória, é mostrado de um jeito que dá a impressão de ser muito mais importante do que realmente é.

As lutas, como já citei antes, são boas no geral, com destaque pra primeira grande luta do filme, quando a esposa do patrão é sequestrada num restaurante e YiYi tenta salvá-la lutando contra vários capangas, numa longa sequência que culmina na quase destruição da cozinha.


Kane Kosugi, o maior destaque do filme, é Song Li Shan, o campeão da máfia de lutas ilegais que fica empolgado por finalmente encontrar um oponente digno em Nie YiYi.

Kane Kosugi

Obviamente, a luta final é contra ele. Uma luta excelente, aliás.


O próprio Kane declarou em entrevistas que essa foi a filmagem mais difícil de toda a sua carreira, pois o ritmo das filmagens era muito rápido e eles trabalhavam muitas horas por dia, sem contar que ele teve que lutar descalço e ficou com as solas dos pés esfoladas e sentia dor toda vez que tinha que acertar um chute na Jiang Lu Xia.


Uma luta que prometia muito é aquela em que YiYi luta pendurada num andaime de bambu. No entanto, o resultado final ficou longe da empolgação que sentimos ao ver outras lutas similares em andaimes como em Lady Reporter (Blonde Fury) e Caçada Implacável (Madam City Hunter), coincidentemente também protagonizados por mulheres, respectivamente Cynthia Rothrock e Cynthia Khan.

Também não empolga muito a cena em que ela invade a base da máfia e precisa atravessar um corredor com cerca de 30 capangas, armada apenas com um nunchaku. Sem nada de especial, nesse ponto do filme as coreografias já estão repetitivas e desinteressantes.

Mas a luta mais decepcionante é contra uns dançarinos de hip-hop numa praça. Sem dinamismo, sem ritmo, só acrobacias inúteis, a coreografia não transmite a sensação de ameaça real pra protagonista em nenhum momento. Nesse ponto a Jeeja novamente se saiu bem melhor que sua rival no recente Raging Phoenix, onde também temos hip hop com porrada.

Prum rival declarado de Chocolate, Coweb prometeu muito e cumpriu pouco. Espero que tenham melhor sorte na próxima.

Nota : 6,0

Trailer

FINALMENTE!

A VOLTA TRIUNFAL DO

ASIAN FURY!!!!!

Depois de tirar 1 ano de férias do blog, eis que finalmente volto à atividade!

Espero continuar a ter ânimo pra atualizar regularmente esse meu espaço que eu tanto amo.

Fãs do ASIAN FURY, vocês não ficaram órfãos. Perdoem-me por esse longo período de hibernação.

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