THE FORBIDDEN KINGDOM

DVD Japonês Em Pré-Venda

O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom), a tão comentada super-produção juntando os dois maiores astros de filmes de kung fu de todos os tempos, Jackie Chan e Jet Li, estreou nos cinemas japoneses no dia 26 de julho, um mês antes de estrear no Brasil.

Por outro lado, no Brasil o DVD (simples e aparentemente pelado de extras) vai ser lançado no dia 19 de novembro, mais de 2 semanas antes do Japão, onde o DVD (duplo, com luva externa e livreto colorido) será lançado somente no dia 5 de dezembro.

O pobre DVD brasileiro e o caprichado DVD japonês

Assim como o DVD de Shaolin Girl (que já recebi na quarta-feira, obrigado), quem comprar o DVD de The Forbidden Kingdom (que no Japão foi rebatizado de The Dragon Kingdom) pelo site Amazon.jp ganha 24% de desconto, ou seja, de 3,990 ienes o preço cai pra 3,092. Obviamente o meu já está encomendado.

Acredito que os leitores estão curiosos quanto à minha opinião sobre esse filme, certo? Eu já tinha baixado esse filme desde que uma versão screener caiu na net no dia seguinte ao lançamento nos EUA em meados de abril, mas estava aguardando a estréia nos cinemas japoneses pra poder assistir novamente, dessa vez na telona, pra só aí publicar uma resenha no ASIAN FURY. Fui ao cinema no começo de agosto, mas antes que eu pudesse escrever qualquer coisa, tive aquele acidente no dia 7 do mesmo mês. Depois disso, perdi completamente a inspiração pra comentar sobre esse filme e ficou por isso mesmo. Agora, aproveitando o lançamento em DVD, darei as minhas considerações de forma concisa.

Da mesma forma como eu nunca tive vontade de ver uma produção juntando Stallone com Schwarzenegger, eu não queria que fizessem um filme juntando Jet Li e Jackie Chan de jeito nenhum! Quando anunciaram que o tão "aguardado" projeto seria uma produção hollywoodiana dirigida pelo mesmo cara que dirigiu Stuart Little, não tinha como não torcer o nariz!!!! Eu tinha a mais absoluta certeza de que Forbidden Kingdom seria um dos maiores lixos da carreira de ambos. Provavelmente por causa disso eu achei esse filme tão bom!

Descontando alguns excessos desnecessários no uso de cabos (apesar desse recurso ter sido bem menos usado do que eu imaginava) as coreografias de Yuen Woo Ping são ótimas, como quase sempre. Os efeitos em CG estão de acordo com o contexto fantasioso do filme e não me incomodei. Apesar da luta entre Jet e Jackie ser muito boa, a melhor luta do filme é indiscutivelmente aquela no restaurante, onde a coreografia é puro Jackie Chan.

Talvez eu tenha julgado mal Rob Minkoff injustamente, pois por todas as citações de filmes clássicos de kung fu jogadas ao longo do filme, ele parece ser um grande fã e conhecedor do gênero. Eu não gostei mesmo foi do protagonista Michael Angarano, que só conseguiu me despertar raiva com aquela cara de tonto, apesar da boa atuação física na seqüência final.

Resumindo, The Forbidden Kingdom é divertido, não exagera na comédia e tem boas lutas. Como devem ter percebido, minhas palavras não foram muito diferentes das de outros colegas blogueiros. Talvez por isso eu tenha perdido vontade de comentá-lo no ASIAN FURY.

Abaixo, duas versões do cartaz japonês com o título The Dragon Kingdom, a da esquerda escrita em inglês e a da direita em katakana (ドラゴン キングダム), um dos alfabetos japoneses comumente usados pra se escrever palavras estrangeiras. Clique nas imagens para ampliá-las.

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Curiosamente, na capa do DVD japonês está escrito The Forbidden Kingdom mesmo.

THE CLOSE ENCOUNTER

OF VAMPIRE

(aka DRAGON VS. VAMPIRE)

殭屍怕怕

Hong Kong, 1986

Direção : Yuen Woo Ping

Elenco : Yuen Cheung Yan, Leung Kar Yan, Yuen Shun Yi, Chris Yen, Yuen Yat Chor

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De todos os filmes que Yuen Woo Ping dirigiu desde a sua estréia na função em Punhos De Serpente (Snake In The Eagle's Shadow), o filme de hoje é certamente o mais raro e obscuro. Confesso que eu mesmo só fui conhecer esse filme quando pesquisei sobre a carreira de Chris Yen, irmãzinha de Donnie Yen, que teve em The Close Encounter Of Vampire a sua estréia no cinema.

Esse filme é tão raro que talvez uma das únicas versões existentes no mundo seja o VHS japonês, raríssimo por ter sido lançado há mais de 20 anos atrás. Até mesmo nos sites oficiais da Chris Yen (na verdade o site provisório, pois o oficial ainda está em construção) e Leung Kar Yan só têm disponível a capa desse VHS japonês, nada de poster original ou capa do VHS chinês.

The Close Encounter Of Vampire foi uma tentativa de Yuen Woo Ping pegar carona na onda de filmes de zumbis saltitantes (os famosos "kyonshi", como ficaram conhecidos entre fãs do mundo todo) que pipocaram na segunda metade da década de 1980. Muitos leitores inclusive já devem ter percebido a malandragem do título: uma simples combinação dos nomes das 2 obras-primas que definiram o gênero, The Close Encounter Of The Spooky Kind (ou simplesmente Spooky Encounters), de Sammo Hung e o excepcional Mr. Vampire, de Ricky Lau.

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Spooky Encounters  &  Mr. Vampire

Em uma vila isolada na China, os mortos são enterrados mas não perecem (ou não apodrecem, pra vocês entenderem melhor). Pra esses cadáveres não se transformarem em kyonshis é necessário realizar a cada 50 anos uma cerimônia taoísta de "limpeza" de maus espíritos. Durante a tal cerimônia, o atrapalhado assistente do sacerdote comete um erro e esquece de "limpar" um túmulo, despertando mais tarde um furioso kyonshi e seu pequeno filho (!!!).

Kyonshi pai e kyonshi filho

Leung Kar Yan é uma espécie de Van Helsing chinês, um exterminador de kyonshis itinerante que descobre pegadas suspeitas na estrada e vai imediatamente alertar a povo local sobre a ameaça de um ataque de kyonshi. O sacerdote taoísta da vila (Yuen Shun Yi) recusa-se a acreditar no aviso, já que a cerimônia de "limpeza" foi realizada e não haveria motivo pra um kyonshi andar à solta. Leung não desiste e vai à caça do kyonshi sozinho.

Vocês devem estar se perguntando onde entra a Chris Yen nessa estória, certo? Ela é a discípula mais velha entre os discípulos mirins de um mestre de kung fu (Yuen Cheung Yan) que ganha a vida com apresentações de ópera chinesa. Por um acaso do destino, essas crianças fazem amizade com o filho do kyonshi sem terem a mínima noção do perigo. Eles chegam até a defender o kyonshi júnior do ataque do exterminador Leung. Mas no final todos juntam forças pra combater o kyonshi pai, que é realmente muito feroz.

Depois de ter lido a entrevista de Chris Yen no site Kung Fu Cinema em 2004, onde ela conta como as filmagens eram uma loucura, com Yuen Woo Ping gritando com todos no set num regime de treinamente praticamente militar, pensei que sua participação fosse maior, com várias cenas de luta. Imaginem a minha decepção ao perceber que as únicas cenas onde Yen exibe suas habilidades físicas são essas do video abaixo.

Sendo esse filme um clone descarado do grande hit Mr. Vampire (e também de Mr. Vampire 2, já que aqui temos até uma criança kyonshi), e conhecendo as insanidades já realizadas pelo Clã Yuen nos mais do que criativos Shaolin Drunkard e Miracle Fighters, imaginei que The Close Encounter Of Vampire fosse um clone tão bom quanto outros clones excelentes como Thunder Cops, Magic Cop e até Spooky Encounters 2. Infelizmente não é.

A impressão que tive é que o Clã Yuen gastou quase toda a criatividade nos filmes anteriores e sobrou poucas boas idéias pra se usar aqui. Claro que tem algumas idéias interessantes aqui e acolá, principalmente nas confusões em que Leung se mete ao tentar combater o kyonshi sozinho, mas no geral esse filme carece um pouco daquelas desesperadas e hilariantes seqüências de perseguição que caracterizam o gênero. A graça desse tipo de filme é quando as pessoas comuns precisam fugir de kyonshis e o sacerdote taoísta (quase sempre interpretado pelo saudoso Lam Ching Ying) aparece com um feitiço novo pra combatê-los. Mas no caso desse filme, tanto o exterminador quanto o sacerdote são tão medrosos e trapalhões, que as cenas onde encaram os kyonshis se resumem a gritarias e correrias pouco inspiradas.

Pode ser que eu esteja sendo rigoroso demais ao avaliá-lo de forma tão desfavorável, afinal The Close Encounter Of Vampire não é exatamente um filme ruim. Na verdade é até agradável e divertido em alguns momentos. O problema é que os outros filmes de kyonshi são bem mais divertidos. Agora eu entendo por quê esse filme é tão obscuro.

Nota : 6.0

Curiosidades

O termo kyonshi usado entre os fãs do gênero é na verdade a pronúncia japonesa (キョンシー) do cantonês keung sze (pronuncia-se "kyonsí", e em caracteres chineses se escreve 殭屍, que significa "cadáver rígido"). Acredito que o motivo pela qual a pronúncia japonesa tenha sido adotada internacionalmente é que em nenhum outro país esse gênero fez tanto sucesso quanto no Japão. Além de Mr. Vampire, o sucesso mais estrondoso no Japão foi uma série de filmes taiwaneses chamado Hello Dracula, protagonizados pela heroína taoísta mirim Tenten (Shadow Liu), que gerou até uma série de TV que foi uma febre entre a criançada. O vídeo abaixo (infelizmente, só pra quem entende japonês) mostra muito bem o sucesso no Japão na época.

 

O sucesso da personagem Tenten foi tão retumbante que a atriz taiwanesa Shadow Liu desenvolveu uma carreira sólida no Japão desde o fim dos anos 80, onde estrelou comerciais, gravou CD's (inicialmente como cantora-solo, posteriormente com o grupo Kuro Buta All Stars), lançou um livro de fotos e foi apresentadora de programas de variedades na TV japonesa. Atualmente é atriz contratada dos estúdios Shochiku, mas ela ainda participa esporadicamente de novelas taiwanesas. Mais informações nos fansites da Tenten, da Shadow Liu e em seu blog oficial.

Shadow Liu

Não tenho certeza qual foi o primeiro filme sobre kyonshis produzido em Hong Kong, mas acredito que o primeiro filme a misturar kyonshis com kung fu tenha sido Spiritual Boxer Part 2 (ou The Shadow Boxing) dirigido por Lau Kar Leung em 1979. A clássica co-produção Hammer/Shaw Bros de 1974, A Lenda Dos 7 Vampiros (Legend Of The 7 Golden Vampires), não conta, pois além dos zumbis/vampiros chineses desse filme serem bem diferentes dos clássicos kyonshi, não tem a presença de nenhum sacerdote taoísta pra combatê-los.

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The Spiritual Boxer Part II  &  Legend Of The 7 Golden Vampires

A idade correta de Chris Yen é uma incógnita, pois não existe registro do seu ano de nascimento em nenhuma página da internet. Apesar dessa carinha de adolescente, certamente já deve estar na casa dos 30, mas ela espertamente omite o ano de nascimento em seu site oficial.

Deduzo que ela deva ter no mínimo uns 34 anos de idade, pois em The Close Encounter Of Vampire, que é de 1986, ela aparentava ter uns 12 ou 13 anos. Não seria exagero nenhum, visto que Donnie Yen já tem 45. É pouco provável que eles tenham muito mais do que 10 anos de diferença.

Falando em Donnie Yen, ele chegou a ajudar na coreografia da irmãzinha no filme. Vejam abaixo algumas fotos dos bastidores de The Close Encounter Of Vampire que peguei do site provisório da Chris Yen, ligado ao site oficial do irmão.

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