SHAOLIN GIRL

(Shorin Shojo - 少林少女)

Japão, 2008

Dir : Katsuyuki Motohiro

Elenco : Kou Shibasaki, Toru Nakamura, Yosuke Eguchi, Takashi Okamura, Kitty Zhang, Lam Chi Chung, Tin Kai Man

Desde que o divertidíssimo Kung Fu Futebol Clube (Shaolin Soccer) quebrou todos os recordes de bilheteria da Ásia, todos perguntavam a Stephen Chow quando ele produziria uma seqüência. Depois de passar muito tempo ocupado com Kung-Fusão (Kung Fu Hustle) e o recente CJ7 - que no Japão vai se chamar Miracle 7 ou Miracuru Nanago (site oficial japonês : http://www.miracle7.jp) - eis que de repente é anunciada a suposta "seqüência" de Shaolin Soccer, inusitadamente uma produção japonesa divulgada internacionalmente como Shaolin Girl.

Na verdade, o termo correto não seria "seqüência", mas "spin-off oficial", já que apenas 2 personagens do filme original participam desse, e Stephen Chow é apenas o produtor executivo. Fora isso, o esporte adotado em Shaolin Girl é o lacrosse, esporte canadense pouco conhecido, pelo menos entre os brasileiros.

O enredo básico é quase idêntico ao de Shaolin Soccer. Depois de passar 9 anos estudando kung fu na China, no Templo Shaolin, Rin Sakurazawa (a belíssima Kou Shibasaki, de Dororo e One Missed Call) volta ao Japão disposta a divulgar e popularizar o kung fu de Shaolin ao maior número de pessoas possível. Como o dojo de sua família foi fechado, ela encontra no time de lacrosse da universidade local uma ótima oportunidade de exibir suas habilidades, incentivar outras pessoas a praticar Kung Fu Shaolin e reabrir o dojo.

Confesso que fui conferir esse filme no cinema com muita ansiedade. Essa é uma situação que eu evito pois a possibilidade de a expectativa não ser cumprida é enorme, mas as chamadas de TV eram tão atraentes (eles realmente sabem como atiçar a curiosidade do público!) e insistentes que não consegui evitar. E mais uma vez o meu receio se tornou realidade!

Não me entendam mal, Shaolin Girl não é um filme ruim. O meu erro foi esperar um filme nos mesmos moldes de Shaolin Soccer (malditas chamadas de TV!!!), ou seja, muito humor nonsense, partidas emocionantes e uma boa dose de ação.

O principal problema de Shaolin Girl é que o filme não é nem muito engraçado e nem muito movimentado. Enquanto que em Shaolin Soccer dá pra se gargalhar em várias cenas, Shaolin Girl provoca apenas algumas risadinhas discretas. Mas eu já devia esperar por isso, afinal aquele humor típico de Stephen Chow só funciona nos filmes de Stephen Chow, e comédias japonesas costumam ser bem diferente das chinesas. A propósito, a atuação do elenco chinês acaba sendo involuntariamente engraçado pois todas as suas falas são em japonês. Quem entende japonês e já viu um chinês sem intimidade com o idioma tentando falar japonês entende a situação.

Outro problema é que no terço final o filme se perde e desvia do tema principal. Eu esperava um clímax numa partida de lacrosse, mas de repente o diretor achou que seria mais interessante plagiar outro filme de Chow também, Kung-Fusão (como dá pra se notar no trailer). Embora essa decisão tenha fornecido a cota de ação que esse filme tanto necessitava, particularmente fiquei bem decepcionado com isso. O lacrosse só volta a ser o tema do filme, pasme, nos créditos finais!!! Aí sim é mostrada uma partida de lacrosse com todo o time usando as técnicas Shaolin pra vencer o campeonato nacional.

Falando ainda no final inspirado em Kung-Fusão, temos aqui também várias referências bem humoradas a vários filmes. Na seqüência final, pra enfrentar o vilão principal (o veterano Toru Nakamura, em excelente forma física aos 43 anos) e resgatar sua amiga (a novata Kitty Zhang), Rin precisa enfrentar vários oponentes em cada andar do prédio, igual em O Jogo Da Morte (Game Of Death). Uma das salas é coberta de espelhos como na seqüência final de Operação Dragão (Enter The Dragon). Aliás, um dos oponentes é um sósia do Bruce Lee!!! Antes de Rin entrar no prédio ela é recepcionada por vários lutadores usando máscara, referência ao Crazy 88 de Kill Bill, creio eu. E quanto a Kung-Fusão, além da roupa usada pela Kou ser idêntica a de Stephen Chow, até o desfecho da luta final é praticamente igual! Se não me engano, tinha mais referências a outros filmes, mas eu sinceramente não consigo me lembrar pois assisti esse filme já há duas semanas. Por pura falta de tempo, só escrevi essa resenha agora, he, he, he.

Como falei acima, Shaolin Girl não é, nem de longe, um filme ruim (esse título ninguém tira do horrendo Silly Kung Fu Family, outro spin-off de Shaolin Soccer). Aliás, é um excelente passatempo pra se curtir com a família, pois como todo filme comercial japonês, está cheio de lições de moral. Eu é que esperava demais, por isso tenho certeza de que vou gostar mais desse filme assim que eu reassistí-lo em DVD.

Nota : 6.0 (mas pode mudar no futuro)

Curiosidades

Em janeiro desse ano eu peguei um folheto promocional desse filme e desde então tenho planejado postar o scan aqui pra divulgar, mas sempre esquecia. Vou aproveitar e postar agora, pois sempre tem gente que gosta de guardar essas imagens em boa resolução. É só clicar nas imagens abaixo pra aparecer uma versão bem maior.

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Frente do panfleto

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Verso do panfleto

Uma das cenas mais divertidas no trailer de Shaolin Girl (abaixo) é quando Rin arremessa uma bola de efeito que acerta o prédio da universidade e causa uma explosão. Essa cena está no filme, mas sem a explosão.


Existe um outro filme - mas esse é de Hong Kong - onde misturam kung fu com um outro esporte. Esse filme se chama Kung Fu Dunk, estrelado pelo superstar taiwanês Jay Chou, que mistura kung fu com basquete. Pelas resenhas que andei lendo o resultado não é lá muito animador, mas estou com vontade de qualquer dia conferir esse filme. Tomara que passe nos cinemas daqui de Nagano.

No dia em que fui assistir Shaolin Girl, escutei a canção-tema "ギリギリ HERO" (Girigiri Hero), cantada pela dupla mihimaru GT, no mínimo umas 4 vezes dentro do cinema!!! Duas vezes antes da exibição, uma vez no encerramento do filme e mais uma vez depois que as luzes foram acesas. Isso sem contar que vi eles cantando essa música à noite num programa de música na TV. Normalmente não costumo gostar de músicas com batidas "tuts, tuts", mas nesse caso abri uma exceção pois a vocalista Hiroko é adorável e a melodia é realmente cativante. Vejam o video-clipe abaixo.

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