3 ANOS DE ASIAN FURY
Sim, estou atrasado pra comemorar o aniversário do blog. Eu queria postar alguma matéria bem legal na data certa (24 de abril), mas por falta de tempo não consegui terminar o texto. Bem, antes tarde do que nunca.
Pois é, leitores, mês passado o ASIAN FURY completou 3 anos de existência. Não vou falar que nunca pensei que chegaria até aqui pois estaria mentindo. Na verdade, quando comecei o ASIAN FURY, a minha intenção (nada humilde, reconheço) era de que esse blog se tornasse referência em língua portuguesa sobre filmes de ação asiáticos, pois na época não existia nenhum site ou blog especializado no assunto, com exceção do já lendário Pagoda (e todas as suas encarnações) do crítico e maior autoridade em cinema asiático no Brasil, Otávio Moulin.
Desde então surgiram outros blogs maravilhosos especializados em cinema asiático, como os portugueses Cine Asia (do brother Sérgio Lopes) e o My Asian Movies (do grande Jorge Soares, vulgo Shinobi, uma figura que eu adoraria conhecer pessoalmente algum dia), e o brasileiríssimo Hong Kong Old-School, da minha amiga Aline, talvez o meu blog favorito. Todos eles são excelentes e às vezes eu até fico com inveja da qualidade dos seus textos, mas mesmo assim ainda tenho muito orgulho do meu próprio trabalho, especialmente por causa dos elogios que recebo periodicamente, seja por e-mail, pelo Orkut ou mesmo nos comentários do blog.
Eu quero agradecer a cada um dos leitores, desde aqueles que sempre postam comentários até os quietinhos que só lêem e não comentam nada, por todo o apoio que recebi nesses 3 anos. Sem vocês eu estaria gastando meu tempo à tôa escrevendo esses textos, he, he, he
E pra comemorar os 3 anos do meu blog, farei um breve comentário (bem superficial mesmo, por falta de tempo) sobre as 3 trilogias mais importantes quando se fala em filmes de kung fu old school.
Shaolin Temple
Muitos entusiastas de kung fu old school não toleram o excessivo (ab)uso de cabos nos filmes que Jet Li fez a partir dos anos 90, mas esses seus 3 primeiros trabalhos estão acima de qualquer crítica. São filmes com roteiros simples, boas atuações, excelentes coreografias e exibições gratuitas das habilidades dos atores, todos campeões reais de wushu.

Capa do VHS brasileiro e do DVD de Hong Kong
O Templo De Shaolin (Shaolin Temple, 82) foi o primeiro filme de kung fu produzido na China Continental e, devido à inexperiência da equipe, esse clássico levou quase 2 anos pra ser filmado. Mas esse trabalho todo certamente valeu a pena pois Shaolin Temple foi um sucesso estrondoso em toda a Ásia e transformou Jet Li (na época ainda se chamando Li Lian Jie, seu nome real) num astro da noite pro dia.

Capa do VHS brasileiro e poster japonês.
O Templo De Shaolin 2 (Kids From Shaolin, 84) é unanimemente considerado o mais fraco dos 3, e muita gente nem gosta dele por causa da criançada que dá nome ao filme, mas como foi o primeiro da trilogia que tive a oportunidade de assistir, achei muito bom. É o que tem o roteiro mais criativo e também o primeiro filme onde Jet atua ao lado daquela que seria sua futura primeira esposa, Huang Qiu Yen (ou Wong Chau Yin em cantonês).

Capa do VHS brasileiro e poster chinês.
O Templo De Shaolin 3 (Martial Arts Of Shaolin, 86), co-produção da Shaw Brothers, é considerado por muitos como o melhor dos 3. Particularmente prefiro o primeirão, mas esse terceiro - dirigido por Lau Kar Leung - também é excelente! Segundo Jet Li, houve muita tensão nos bastidores entre a equipe de HK e da China, e talvez isso transpareça no resultado final pela fúria imprimida nas lutas, muitas delas do estilo "um contra o mundo".
The 36th Chamber Of Shaolin

O box da China Video.
Assim como a trilogia de Jet Li, a trilogia d'A Câmara 36 De Shaolin é obrigatória na coleção de todo fã de filmes de kung fu. Infelizmente o box lançado no Brasil pela extinta China Video já é item raro de colecionador, pois já saiu de catálogo há anos, mas vale a pena ir atrás de uma cópia mesmo em DVD-R.

Poster original e capa do DVD brasileiro.
A Câmara 36 De Shaolin (The 36th Chamber Of Shaolin, 78) foi a obra-prima que marcou a carreira de Gordon Liu pro resto de sua vida. O filme fez tanto sucesso e o personagem (o monge San Te) foi tão marcante que seus fãs só queriam vê-lo careca em todos os seus filmes. A influência desse clássico pode ser sentida em absolutamente todos os filmes subseqüentes que usam o tema "Templo Shaolin", principalmente nas seqüências de treinamento que deixariam qualquer fisioterapeuta moderno horrorizado com a possibilidade de lesões nos músculos, nervos e ossos dos monges.

Poster original e capa do DVD brasileiro.
O Retorno à Câmara 36 (Return To The 36th Chamber, 80) é uma seqüência nada a ver onde Liu nem é o monge San Te, mas um vigarista que tenta aprender kung fu com San Te (interpretado por um outro ator) se infiltrando no Templo Shaolin. Enquanto o primeiro era bem sério e com coreografias mais tradicionais, o segundo é bem puxado pra comédia com coreografias mais criativas e malucas. Só mesmo Lau Kar Leung pra criar o estilo "Kung Fu Andaime". É o meu favorito!

Poster original e capa do DVD brasileiro
Já em Discípulos Da Câmara 36 (Disciples Of The 36th Chamber, 83) Gordon Liu volta ao papel do monge San Te, mas apenas como coadjuvante. O herói do ultimo filme da trilogia é Fong Sai Yuk (Hsiao Ho), o famoso personagem de espírito adolescente e temperamento forte. Lau Kar Leung explorou bastante as habilidades acrobáticas de Ho e as lutas são, como era de se esperar, excelentes, mas o filme em si não tem o mesmo vigor dos primeiros filmes, sendo considerado o mais fraco da série.
The Secret Rivals
Outra trilogia lendária e importantíssima entre os fãs de kung fu old school, principalmente por ter sido a estréia de dois dos maiores chutadores do cinema de Hong Kong : o fenômeno coreano Hwang Jang Lee e o taiwanês maravilha John Liu.


Poster original e capa do DVD americano.
Secret Rivals (76) foi o primeiro grande sucesso do estúdio independente Seasonal Films. Dirigido por Ng See Yuen e filmado na Coréia, Secret Rivals foi também o primeiro filme a realmente explorar o uso de pernas para exibição de chutes altos. Hwang Jang Lee é o famoso vilão Silver Fox (apelido pelo qual ele seria eternamente lembrado), John Liu é um lutador conhecido como "Pernas Do Norte" e Don Wong Tao é o "Punhos Do Sul". Esse tema "Pernas Do Norte X Punhos Do Sul" foi bastante imitado na época, sendo que o melhor produto dessa safra é o excelente Tempo De Vingança (The Hot, The Cool And The Vicious), também com Don Wong Tao e o sensacional Tan Tao Liang, que foi mestre de John Liu na vida real.


Capa do DVD de Hong Kong e dos EUA.
Secret Rivals 2 (77) é um dos raros casos em que a seqüência é tão boa quanto o original. Particularmente gosto mais do segundo do que do primeiro por causa de Tino Wong, cujos movimentos são mais bonitos e precisos do que de Don Wong Tao. E Hwang Jang Lee volta nessa seqüência como Golden Fox, irmão gêmeo de Silver Fox. John Woo talvez tenha se inspirado nesse filme pra trazer Chow Yun Fat de volta em Alvo Duplo 2 (A Better Tomorrow 2) como irmão gêmeo de Mark, personagem de Chow que morre no primeiro filme, he, he, he.


Capa do DVD americano e do DVD europeu.
Muitos não consideram Secret Rivals 3 (81) como parte da série, já que a estória não tem nada a ver com os 2 primeiros, mas o conceito de "Pernas Do Norte X Punhos Do Sul" está lá, tanto é que um de seus nomes alterativos é Northern Kicks, Southern Fists, que aliás é a tradução literal do nome chinês do Secret Rivals original. Falando em nomes, parece que a Seasonal cometeu um grande erro ao batizar o primeiro filme de "Rivais Secretos" em inglês, afinal os protagonistas só são "rivais secretos" no filme original, pois eles disputam o amor de uma moça coreana. Na continuação esse nome já não tinha mais sentido, mas como o primeiro filme fez muito sucesso, eles foram obrigados a manter o nome. Mas voltando a falar sobre Secret Rivals 3, dessa vez o papel de "punhos do sul" ficou a cargo de Alexander Lo Rei, que fez um ótimo trabalho, mas não impediu que esse filme fosse bem inferior aos 2 primeiros. Na verdade, esse filme é muito bom - afinal, as lutas foram coreografadas por Robert Tai, que também encarna o vilão - mas pelos 2 primeiros filmes serem clássicos excepcionais e supremos, a comparação acaba sendo cruel.
Bem, é isso aí. Gostaria de fazer dissertações mais detalhadas sobre cada filme e ainda citar várias outras trilogias que gosto muito (The Street Fighter, Infernal Affairs, A Better Tomorrow, Sister Street Fighter, Iron Angels, Prisoner Maria, etc) mas a falta de tempo não me permite. Espero que tenham curtido mesmo assim.
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