CHOCOLATE

Primeira Impressão

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Nunca baixei filmes da net. Aliás, eu sempre fui contra essa prática, não por causa da pirataria (isso seria hipocrisia, afinal eu sempre troco cópias em DVD-R com outros colecionadores), mas porque a qualidade é quase sempre bem inferior ao DVD, sem contar que o filme fica sem menu e extras. Mas nesse caso eu não agüentei! Baixei a primeira versão screener (filmado escondido no cinema) que caiu na net, só de curiosidade.


E olha, mesmo com a qualidade horrível, valeu a pena! Pois Chocolate é exatamente aquilo que o trailer promete!

Digamos assim, por cima, que Chocolate não supera os filmes de Tony Jaa, mas nem por isso é um filme fraco, longe disso! É espetacular!

O enredo básico eu já expliquei na preview que postei no começo no mês passado, mas acho melhor descrever alguns detalhes do roteiro e corrigir alguns equívocos cometidos no post anterior.

Zin (Ammara Siripong) é uma integrante da máfia tailandesa que foi expulsa da organização após se envolver com um membro do alto escalão da Yakuza, Masashi (Hiroshi Abe). Ela engravida de Masashi e dá a luz a Zen (Yanin "Jeeja" Vismitananda), uma menina que nasceu com autismo, mas com uma incrível habilidade de aprender a lutar apenas com sua memória fotográfica. Por causa do problema da filha, Zin resolve levar uma vida normal como mãe solteira, longe da gangue. Anos depois, Zin fica doente e deixa Zen sob os cuidados de Moon, um amigo de infância de Zen. Certo dia, Moon descobre um velho caderno com as anotações de Zin com os nomes de várias pessoas que lhe deviam dinheiro, o que veio bem a calhar, pois o tratamento de Zin é extremamente caro. Assim, Moon vai tentar cobrar essas dívidas do modo tradicional, mas como ninguém quer pagar por bem, a fenomenal Zen entra em ação e espanca todo mundo!!! Com toda a encrenca causada por Zen, o chefão da máfia vai tirar satisfações com a mãe dela. Zen parte então para resgatar a mãe e enfrenta a gangue inteira!!!

Vendo o trailer e lendo a sinopse, cheguei a pensar que finalmente Prachya Pinkaew estivesse amadurecendo como diretor ao abordar um assunto delicado como autismo, uma ótima oportunidade para se desenvolver personagens mais complexos e interessantes. Ledo engano. O espaço entre o nascimento de Zen até sua primeira briga de rua já adolescente (ou adulta, no filme não especificam a idade dela) não passa de 10 minutos, ou seja, nada de se aprofundar no caráter dos personagens, o negócio é apresentar cada um rapidamente e dedicar mais atenção à pancadaria!

Isso não significa, entretanto, que a novata Yanin (acho esse nome mais bonito do que seu apelido, "Jeeja") seja uma nulidade como atriz. Pelo contrário, por ser seu primeiro filme, sua atuação como a protagonista autista está mais do que satisfatória. Ela fez direitinho a lição de casa, visitando centros de crianças autistas e interagindo com elas durante horas pra se preparar pro papel.

Já na parte física, Yanin é irrepreensível. A garota é extremamente ágil, flexível e as coreografias têm aquela brutalidade típica dos filmes tailandeses. Eu só achei que as primeiras lutas do filme não foram lá muito empolgantes porque tem se a impressão de que os caras nem tentam lutar com ela de verdade, só chegam perto pra levar um chute na cara. Mas até aí, Ong Bak tinha esse mesmo problema, e Pinkaew e Rittikrai sanaram isso completamente em O Protetor. Assim como em Ong Bak, o que falta em Chocolate é um adversário à altura da heroína. O único lutador que dá um pouco mais de trabalho a Zen é um rapaz que aparentemente também tem problemas mentais, cheio de tiques nervosos e cujo estilo de luta lembra bastante Lateef Crowder, o sensacional capoeirista de O Protetor.

O popular ator japonês Hiroshi Abe foi extremamente sub-aproveitado, proferindo apenas uma meia dúzia de frases no filme todo e só entrando em ação mesmo no final, quando ele aparece no restaurante japonês pra ajudar sua filha armado com um kataná e já partindo pra cima dos mafiosos tailandeses, numa seqüência digna dos melhores filmes japoneses sobre a Yakuza.

Como já é de praxe na Tailândia, Yanin dispensou dublês nas cenas perigosas (e a seqüência final está cheia delas!) e se machucou diversas vezes durante as filmagens. A garota é mesmo durona! E assim como Tony Jaa ao final de Ong Bak, Yanin chega ao final de Chocolate completamente suja, suada, rasgada, descabelada e ralada.

Aliás, ela é muito bonita, mas provavelmente por sua personagem ser pobre, aparece o filme inteiro meio desarrumada; um desperdício. Seria interessante se em seu próximo filme Pinkaew deixasse Yanin mais arrumadinha e maquiada. Os fãs homens agradeceriam muito, he, he, he.

Chocolate é realmente tudo aquilo que se espera de um filme de Prachya Pinkaew. Porrada do mais alto nível e um roteiro medíocre que só serve pra ligar uma cena de ação à outra. Se é isso que você quer ver, pode entrar de cabeça sem medo! Eu pelo menos vou comprar o DVD original assim que for lançado!!!!!

Nota : 8.0


Curiosidades

Mais detalhes sobre a bela estrela. Yanin nasceu em Bangkok no dia 31 de março de 1984. Aos 11 anos começou a praticar taekwondo e em 2 anos já era faixa preta. Panna Rittikrai conheceu Yanin quando ela dava aulas de taekwondo, e ela até chegou a participar dos testes pro elenco de Nascido Para Lutar (Born To Fight), mas Rittikrai e Pinkaew viram algo mais nela (Seria a beleza? Afinal Yanin é muito mais bonita do que qualquer uma das atrizes de Nascido Para Lutar) e decidiram que ela merecia ter um filme próprio. Chocolate é o filme em questão, e sua produção consumiu mais de 2 anos pois, além de Yanin ter de entrar naquele famoso e rigorosíssimo regime de treinamento de Panna Rittikrai, muitas seqüências foram filmadas e refilmadas várias vezes devido ao perfeccionismo de Pinkaew e Rittikrai.

Pinkaew orientando Yanin

Uma das coisas mais divertidas em Chocolate é "pescar" todas as referências lançadas ao longo do filme. Eu saquei várias. O modo de Zen comer suas pastilhas de chocolate é exatamente como Jackie Chan faz em Operação Condor. Jackie Chan também serve de inspiração pra muitas cenas na luta num depósito de caixas de papelão (ou algo parecido). Só nessa seqüência eu identifiquei cenas dos filmes Projeto China (Project A), Quem Sou Eu? (Who Am I?), Arrebentando Em Nova York (Rumble In The Bronx), Hora Do Rush 2 (Rush Hour 2) e Dragões Para Sempre (Dragons Forever). Bruce Lee também é lembrado nos gritinhos agudos que Yanin solta na luta numa fábrica de gelo, que aliás também é cenário do primeiro filme de Bruce, O Dragão Chinês (The Big Boss). A seqüência final se passa em parte num restaurante japonês que lembra tanto Kill Bill quanto A Fúria Do Dragão (Fist Of Fury). E como foi muito bem lembrado pelo leitor Raphael Pin Head, a seqüência do Hiroshi Abe no restaurante também lembra muito a seqüência final do sensacional A Cidade Da Violência (The City Of Violence). Nessa mesma seqüência final, no terraço do restaurante tem uma cena de luta num lugar baixo e apertado que lembra muito uma cena da seqüência final de Fong Sai Yuk - A Saga De Um Herói (Fong Sai Yuk). Mas a maioria das cenas em que a gente pensa "já vi isso antes" são tiradas de Ong Bak e O Protetor.

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