MASTER OF THUNDER

aka

LEGEND OF SEVEN MONKS

Japão, 2006

Dir : Kenji Tanigaki

Elenco : Yasuaki Kurata, Ayumi Kinoshita, Anna Nagata, Yuria Haga, Ayaka Komatsu, Sonny Chiba, Takayuki Tsubaki, Baundouin Euloge Adogony, Kouji Hiranaka, Yuuki Matsumura, Kouji Nakamura

Esse é um daqueles filmes que é impossível não criar expectativas. Afinal, um duelo entre duas lendas japonesas de filmes de porrada não é algo que se vê com muita freqüência, e o material promocional não deixa de evidenciar isso!

Não é a primeira vez que Chiba e Kurata atuam no mesmo filme. Anteriormente eles já tinham feito juntos os filmes Golpe Mortal (The Executioner/Chokugeki! Jigoku-ken, 74) e O Dragão E A Princesa (Dragon Princess/Hissatsu Onna Kenshi, 76), mas em ambos eles sequer chegam a aparecer juntos em cena.

The Executioner & Dragon Princess

Como Kurata comenta na entrevista nos extras do DVD, essa é a última chance deles realizarem esse combate dos sonhos, já que ambos são sessentões (Kurata tem 60 anos, e Chiba, 67!!!), e se fossem esperar por uma próxima oportunidade, provavelmente já não seria fisicamente possível.

Há 1400 anos, demônios e espíritos malignos foram aprisionados em uma torre numa montanha remota do Japão. Sempre que esses espíritos ameaçam se espalhar pelo mundo, os 7 monges-guardiões da torre se encarregam de evitar o pior.

Agora só restam dois desses guardiões, Santoku (Kurata) e Genryu (Chiba). Quando um “demônio musculoso” aparece na floresta e espanca literalmente uma multidão de monges, Ayumi (Ayumi Kinoshita), uma discípula de Santoku, decide ir atrás dos descendentes dos antigos guardiões para formar um novo grupo de guerreiros e impedir que o mal domine o mundo.

Segundo os spots de TV e várias entrevistas do diretor Kenji Tanigaki, Master Of Thunder seria uma injeção de adrenalina, um filmaço de ação ininterrupta. Mas ao ler a sinopse acima, parece mais um filmeco de fantasia infanto-juvenil, não é? Quer saber? É quase isso mesmo!!! Típico filme de Sessão Da Tarde, Master Of Thunder é uma comédia bobinha e com bem menos cenas de ação do que se esperava.

Tem cenas que foram feitas com a clara finalidade de arrancar risadas fáceis do público infantil, como uma constrangedora luta contra duas... aham, bem, “odaliscas-zumbis” (é sério!!!), com direito até a uma apresentadora estilo kawaii.

Apesar de poucas, as cenas de luta até que são decentes, pena a maioria delas serem muito curtas. Tirando o fato de que quase nenhum dos atores terem realmente habilidades de luta, as coreografias são bem aceitáveis, mérito, claro, do diretor Tanigaki, que certamente aprendeu muito nesses 15 anos em Hong Kong, onde trabalhou inicialmente como dublê e, posteriormente, como coreógrafo-assistente ao lado de gente como Donnie Yen.

O destaque entre as lutas, acreditem, não é o aguardado combate final entre Chiba e Kurata, mas a espalhafatosa cena de abertura, a do “demônio musculoso” (Kouji Nakamura) surrando os monges na floresta, um plano-seqüência de 5 minutos em que foram necessários 11 takes até chegar ao resultado desejado!

Se formos comparar com outras seqüências famosas filmadas sem nenhum corte, como um trecho da seqüência final de Fervura Máxima (Hard Boiled), a genial abertura de Breaking News – Uma Cidade Em Alerta (Breaking News), ou o mais recente O Protetor (The Protector/Tom Yum Goong), essa seqüência de Master Of Thunder é bem menos complexa no desenvolvimento, mas não deixa de ser impressionante pela grandeza da ação, pois participaram dessa cena literalmente TODOS os alunos e instrutores da Kurata Promotion, 150 pessoas ao todo!!!

Sobre a luta Chiba X Kurata, não consigo esconder uma certa decepção. É claro que eu já sabia que a luta não seria tão rápida, intrincada e dinâmica devido à clara limitação física que a idade impõe a ambos (mais em Chiba, pois Kurata ainda está em EXCELENTE forma!), mas o que mata é o excesso de efeitos digitais.

Não se preocupem, eles não voam em nenhum momento (graças a Deus!!!), o lance é que a luta acaba envolvendo um pouco de magia, já que a estória é meio sobrenatural. Na minha opinião esse combate tem mais é valor histórico do que qualquer outra coisa. É isso que dá criar muita expectativa, he, he, he.

Falando na excelente forma de Kurata, é interessante notar na faixa de comentários do DVD japonês como Tanigaki se impressiona com os movimentos de seu antigo mestre. Cada vez que Kurata chuta, ele dispara : “Puxa, é impressionante como Kurata Sensei ainda consegue chutar tão alto e rápido com essa idade!”.

Outra coisa que reparei nos comentários e nas entrevistas nos extras é que aparentemente Kurata é mais admirado do que Chiba aqui no Japão, pelo menos entre a galera que conhece bem filmes de ação. Sonny Chiba é saudado e respeitadíssimo como uma grande lenda do cinema de ação japonês, mas a galera é fã mesmo do Kurata!!! Praticamente todos se referem a ele como “Kurata Sensei”. Inclusive, Koji Kikkawa, veterano roqueiro que assina a trilha sonora de Master Of Thunder, chegou a comentar com Tanigaki que estava feliz por poder fazer parte de um filme onde atuam essas duas lendas que ele admira muito, mas que seu preferido era o Kurata.

Essa foi a estréia de Tanigaki na direção, e a sua inexperiência na função fica bem evidente pela superficialidade do filme. Master Of Thunder sofre do mesmo problema de Sete Espadas (Seven Swords), que é o excesso de personagens principais.

Por esse motivo, falta tempo e espaço para desenvolvê-los satisfatoriamente, resultando em personagens previsíveis e estereotipados. Entre os Sete Monges do título internacional têm os tipinhos mais manjados nesse tipo de filme : o conquistador barato, o otaku nerd (que expressão redundante, he, he, he), a CDF, a delinqüente, a maid (garotas delicadinhas vestidas de empregadinhas que povoam a fantasia dos otakus), um negro atrapalhado que só está ali pra servir de alívio cômico, e a líder do grupo, que não tem nenhum talento especial que a faça se destacar do grupo, mas por algum motivo é a líder.

 

Tanigaki também assina o roteiro, e infelizmente também escorrega nesse quesito. O filme tem vários furos imperdoáveis, principalmente na seqüência final. Logo quando os 7 guerreiros entram na torre onde ficam aprisionados os demônios, são atacados por 5 crianças especialistas em kung fu. Enquanto a maioria deles foge por um alçapão, o conquistador e a maid ficam na sala pra enfrentar as crianças. E a cena acaba aí!!!! Não mostra como eles enfrentam as crianças, o que acontece com elas, nada!!!

 

Outro furo no final : de repente, sem explicação nenhuma, um dos 7 guerreiros (o africano Adogony) desaparece de cena e não participa de absolutamente nada no clímax do filme! Ele só reaparece no epílogo, quando todos os amigos se despedem e voltam à velha rotina.

 

Entre muitos outros furos.

 

Apesar de todos esses defeitos que apontei, Master Of Thunder é bem assistível. Está longe de satisfazer quem quiser ver um bom filme de ação, mas se você não se incomoda com comédias tolas temperadas com algumas cenas de luta, acho que vale uma conferida.

 

Nota : 6.0

Curiosidades

 

Quem assistir esse filme vai sentir um clima meio de tokusatsu, não só pelos efeitos visuais e pelas piadas inofensivas, mas também pelo elenco jovem, todos oriundos dessas séries. Ayumi Kinoshita fez Dekaranger, Yuria Haga fez Kamen Rider 555, Takayuki Tsubaki fez Kamen Rider Blade, Anna Nagata fez Kamen Rider Kabuto, Ayaka Komatsu fez aquela vergonhosa versão live-action de Sailor Moon, e até o marombado Kouji Nakamura já participou como vilão (pra variar) em Ultraman Tiga e Ultraman Dyna. Nos comentários, Tanigaki afirma que foi apenas coincidência, que esse elenco foi escolhido por acaso, mas depois ele deixa escapar que tinha dado preferência pra atores que tivessem tido alguma experiência com ação. E ação no Japão é praticamente sinônimo de tokusatsu.

 

Ryutarou Kurata (sim, filho do hômi) faz uma apariçãozinha rápida numa cena de briga de rua. Não me perguntem se ele sabe lutar como o pai, pois na única cena em que ele participa, só aparece pra levar uma surra das meninas.

O nome completo em japonês de Master Of Thunder é um absurdo de tão pomposo! Saca só : Master Of Thunder : Kessen!! Fuuma Ryuuko-den (マスター・オブ・サンダー 決戦!! 封魔龍虎伝), que traduzido fica mais comprido ainda : “Mestre Do Trovão : Batalha!! Selo do Demônio, a Lenda Do Dragão E Do Tigre”.

Master Of Thunder também é mangá! Mas ao contrário da maioria dos filmes, que são adaptações de mangás já consagrados, Master Of Thunder virou mangá depois que o filme foi produzido!!!

A primeira edição do DVD japonês veio com um brinde chamado “Tonton Kakuto Kitto”, traduzindo, “Kit de Luta Tonton”, que vem com um tabuleiro simulando um ringue e bonequinhos de papel com os personagens do filme. A brincadeira consiste em deixar esses bonequinhos em pé sobre o tabuleiro e bater na mesa (daí a expressão “tonton”) até um dos bonecos tombar ou sair do tabuleiro. Não falei que o público alvo desse filme era infanto-juvenil?

 

Kenji Tanigaki. Aposto que muitos de vocês não estejam conseguindo ligar o nome à pessoa, mas certamente todos vocês já assistiram pelo menos 1 filme onde ele apareça bem claramente. Querem ver?

 

Em Lutar Ou Morrer (Fist Of Legend, 94) ele é o primeiro a levar um tapão na orelha na incrível seqüência em que Chen Zhen (Jet Li) barbariza o dojo japonês.

 

No Fist Of Fury (95), de Donnie Yen, ele repete o mesmo papel.

 

Em O Tempo E A Maré (Time And Tide, 00), ele é o assassino disfarçado de garçom que Nicholas Tse persegue insistentemente.

 

Mais recentemente, em Comando Final (SPL, 05) ele é o capanga de Wong Po (Sammo Hung) que é sumariamente executado por Simon Yam e cia.

Site Oficial do filme : http://www.m-thunder.com/ 

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