UNFAIR : The Movie
(アンフェア)
Anteontem, quando fui assistir Dororo no cinema (no maravilhoso complexo Nagano Grand Cinema, inaugurado aqui há poucos meses), peguei uns folhetos dos próximos lançamentos, e o que mais me chamou a atenção foi esse filme aqui.

Unfair era originalmente uma novela policial produzida pela Fuji TV. Graças à forte presença cênica da bela Ryoko Shinohara (a gatinha fazendo pose de Lara Croft aí no cartaz), Unfair foi um dos grandes hits da TV japonesa em 2006 e era natural que uma versão pra cinema fosse produzida logo em seguida.


Vi o trailer no cinema e parecia bonzinho. Tinha explosões, correria, drama, ou seja, tudo o que seria previsível num filme policial. A estória parece ser bem séria, e na apresentação do site oficial está escrito : “Nesse mundo não existe nada que seja justo. Olho Por Olho. Dente Por Dente. Injustiça Por Injustiça!”, o que explica o inusitado título Unfair (Injusto).

A estréia está marcada pra 17 de março. Se eu tiver oportunidade talvez confira mais essa produção japonesa no cinema.

DORORO
Primeira Impressão
Japão, 2006
Direção : Akihiko Shiota
Elenco : Satoshi Tsumabuki, Kou Shibasaki, Kiichi Nakai, Katsuo Nakamura, Yoshio Harada, Eita, Mieko Harada


Ontem aconteceram comigo duas coisas relativas ao filme Dororo : fui assistí-lo no cinema e o brother Leandro Caraça (do blog Viver E Morrer No Cinema) deixou um comentário interessante no meu post sobre a estréia desse filme, e que reproduzo abaixo :
“Vai ser uma merda que nem o "Shinobi". Tomara que isso não comece uma nova moda de adaptações do Osamu Tezuka, e que ninguém tenha a péssima idéia de fazer um filme de "A Princesa e o Cavaleiro" com toneladas de efeitos de computação de péssima qualidade.”
Depois de assistir o filme, tenho que concordar com o Leandro : Dororo está no mesmo nível de Shinobi!!! Por isso, quem adorou Shinobi, também vai adorar Dororo. Conseqüentemente, quem não gostou...

Depois de uma sangrenta batalha, um guerreiro faz um pacto com 48 demônios. Em troca de poder, ele dá todos os membros e órgãos internos de seu futuro filho aos demônios. Ao nascer completamente sem órgãos e membros, o bebê (chamado Hyakkimaru) é abandonado num rio e é adotado por um velho eremita, que com a ciência e tecnologia que só existem no mundo dos mangás, constrói os membros e órgãos para a criança a partir de pedaços de cadáveres. Ao crescer, Hyakkimaru descobre que se quiser ter os seus membros e órgãos verdadeiros de volta, precisa matar os demônios a quem os membros foram oferecidos.


Não sou tão radical quanto o Caraça, que achou Shinobi uma merda. Como citei no post anterior, achei Shinobi mediano, assim como Dororo.
Dororo começa muito bem, com bom ritmo, ótimos efeitos visuais (e não “de péssima qualidade” como escreveu Caraça) e visual fabuloso. Enquanto Hyakkimaru só enfrenta os demônios, o filme diverte bem, mesmo pra quem não tolera muita computação gráfica como eu. Mas a partir do momento em que ele descobre quem são seus pais verdadeiros, o ritmo do filme cai vertiginosamente! Confesso que depois dos 90 minutos de exibição, já sem as pipocas e o refrigerante, eu não agüentei e dormi por uns 5 minutos, he, he, he. E pra piorar, a duração total do filme é de quase 2 horas e meia, então já dá pra imaginar como eu me senti na poltrona até o filme acabar, né?


Algo que achei estranho (já que eu nunca li o mangá) é que, apesar de dar o nome ao filme, Dororo é praticamente uma coadjuvante na estória. Ela é apenas uma menina que foi criada como um menino e que vive de pequenos furtos. Um dia, depois de presenciar Hyakkimaru massacrando um demônio, resolve acompanhá-lo, aparentemente apenas pela aventura.

As cenas de luta são decepcionantes. Tony Ching Siu Tung é um coreógrafo criativo, mas que não teve muito espaço pra mostrar sua competência em Dororo, já que a grande maioria das cenas de ação são contra demônios de CGI. As poucas lutas de espada que têm uma coreografia mais elaborada duram pouquíssimos segundos!!! Definitivamente não precisava ter sido Ching Siu Tung...


O que se salva em Dororo é o visual sensacional dos demônios (todos sabem que os japoneses têm mais criatividade para criar monstros do que heróis...) e o carisma de Kou Shibasaki, dona de um dos mais belos e expressivos pares de olhos dos últimos tempos (sem esquecer do resto, é claro), que mesmo sem convencer muito no papel (só lembrando, no mangá Dororo é uma criança) conseguiu me manter dentro do cinema até o final.

Nota : 5.0
Curiosidades
Sabem daonde surgiu o nome Dororo, um nome estranho até pros padrões japoneses? Quando pequeno, o filho de Osamu Tezuka, Makoto, estava tentando dizer “dorobo” (que em português significa “ladrão”) mas ele acabava pronunciando “dororo”. Tezuka achou a sonoridade da palavra peculiar e batizou sua nova personagem na época de Dororo, que afinal era um ladrãozinho mesmo.

No Brasil, quando o filme termina e começam a subir os créditos, as luzes já se acendem, todos os espectadores se levantam e saem da sala. No Japão, as pessoas permanecem na sala até terminarem os créditos!!! É sério, os espectadores ficam quietinhos em suas cadeiras vendo os letreiros!!! Mas em Dororo a espera pelo final tem um bom motivo : a música de encerramento, “Fake” é interpretada pela banda MR. CHILDREN, um dos grandes nomes do J-Pop desde meados dos anos 90.

Mr. Children
ROB-B-HOOD
Hong Kong, 2005
Direção : Benny Chan
Elenco : Jackie Chan, Louis Koo, Michael Hui, Yuen Biao, Charlene Choi, Teresa Caprio, Ken Lo

Confesso que mesmo tendo adorado New Police Story, eu já não esperava muita coisa da carreira de Jackie Chan depois de O Mito (The Myth). Por esse motivo, acabei assistindo seu novíssimo filme, Rob-B-Hood, sem expectativa nenhuma; sequer li alguma crítica na internet sobre ele. E não é que adorei o filme? Jackie Chan volta à velha fórmula de filmes pra toda a família.


A estória gira em torno de um trio de ladrões (Jackie Chan, Louis Koo, Michael Hui) que são contratados por um milionário maluco pra raptar um bebê que seria seu suposto neto. Durante a operação, o líder do trio (Hui) é preso, e os dois ladrões restantes são obrigados a cuidar do bebê até o líder sair da prisão e consumar a negociação com o milionário. Como era de se esperar, ambos não têm noção nenhuma de como cuidar de um bebê, num enredo claramente inspirado em Três Solteirões E Um Bebê.


Fugindo um pouco do tom sério de New Police Story e The Myth, Rob-B-Hood é um filme bem mais leve e divertido. No entanto, parece que Jackie Chan gostou da experiência de chorar em seus filmes, pois ele chora aqui também. Ele já mostrou que é um bom ator em New Police Story e não precisava provar mais nada. Se ele começar a chorar em todos os filmes a partir de agora, haja saco!


Uma coisa que eu sinto falta em seus filmes mais recentes são as cenas arriscadas de ação. Como Jackie ultimamente anda usando cabos até pra dar cambalhotas, parece que essa fase de seqüências perigosas ficou pra trás, mas mesmo assim tem umas cenas de ação em Rob-B-Hood que vale a pena citar.


A mais comentada delas é uma em que Jackie desce um prédio pelo lado de fora, pulando nos aparelhos de ar condicionado. Mas uma cena de tirar o fôlego é uma perseguição numa montanha-russa, onde Jackie, carregando o bebê nas costas, é quase atropelado pelo carrinho!!!


Porém não é só Jackie que encara as cenas de ação. Louis Koo também protagoniza cenas arriscadas, como numa perseguição de carro em que ele e Jackie precisam recuperar o carrinho do bebê que ficou preso num outro carro, ou uma seqüência arrepiante onde Koo fica pendurado numa roda-gigante.


A despeito do elenco de peso que o filme carrega, quem rouba todas as cenas em que aparece é o novato Mathew Medvedev. Sim, o adorável bebê mestiço é o grande astro de Rob-B-Hood!!!! Quem gosta de bebês, sem dúvida se apaixonará pelo menino, e quem acha que não gosta, garanto que vai rever seus conceitos depois de assistir esse filme. As minhas irmãs, que odeiam os filmes que eu assisto, não resistiram ao ver a capa e o trailer, e assistiram o filme comigo, he, he, he.


Pela quantidade de ilustres participações especiais, o clima é de uma reunião de velhos amigos, especialmente pelo seu irmão de ópera Yuen Biao e de Michael Hui, com quem Jackie já não contracenava desde Quem Não Corre...Voa (Cannonball Run, 81).


Falando em Yuen Biao, é realmente uma pena que o rumor inicial de que os “Três Irmão” se reuniriam nesse filme pela primeira vez desde Dragões Para Sempre (Dragons Forever, 88) não tenha ido além do rumor.

Nicholas Tse & Daniel Wu
Entre os famosos que fazem uma ponta em Rob-B-Hood estão Terence Yin, Nicholas Tse (que já tinha feito uma aparição de 1 segundo em O Medalhão), Daniel Wu (numa participação hilária) e até Ku Feng, veterano da Shaw Bros que aqui interpreta o pai de Jackie Chan.


Terence Yin & Ku Feng
As lutas estão, como sempre, muito criativas, mas o peso da idade nas costas de Jackie já está bem evidente. Aliás, mais evidente ainda é a diferença nas habilidades de Jackie Chan e Yuen Biao. Mesmo tendo apenas 3 anos de diferença, Biao aparenta estar bem mais em forma do que Chan, como dá pra se perceber na única cena em que ele luta. Mas é claro que Chan ainda tem uma agilidade impressionante prum senhor de 52 anos.


É bom ver que apesar das limitações que a idade vem impondo, Jackie Chan ainda consegue produzir filmes bem movimentados e divertidos, ainda que seja com o auxílio de cabos e computação gráfica. Rob-B-Hood só não merece uma nota maior porque a participação de Yuen Biao é muito pequena.
Nota : 8.0
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