EAST SIDE ACTION

Fui informado pela galera no Orkut que aquele meu projeto com o Heráclito que citei há alguns posts atrás acabou de chegar às bancas de SP. É uma nova revista da editora WORKS chamada EAST SIDE ACTION, dedicada a filmes de artes marciais e que vem com um DVD encartado. A revista é escrita por mim e pelo Heráclito, com apoio técnico do Ricardo Matsukawa (vulgo Bakemon) e do Otávio Moulin. Resumindo, uma revista feita por blogueiros fanáticos por filmes asiáticos!

 

O primeiro número vem com o filme The Street Fighter, o clássico da grosseria de Sonny Chiba.

O DVD vem sem nenhum extra mas a qualidade da imagem é muito boa e é em widescreen.

É a mesma versão distribuída nos EUA pela Brentwood.

A diferença é que a versão americana oferece áudio em inglês e o original japonês. Infelizmente o áudio em japonês é completamente fora de sincronia nessa master da Brentwood, por isso foi eliminado no DVD brasileiro, ficando só a versão em inglês. Mas mesmo assim o DVD vale muito a pena!

A famosa cena em que Chiba arranca as bolas de um estuprador com as mãos!!!

A rainha japonesa da pancadaria Etsuko "Sue" Shiomi fazendo uma ponta

 

Infelizmente eu ainda não tenho essa revista em mãos, por isso ficarei devendo a capa aqui no blog. Se porventura alguém adquirir a revista e puder me mandar um scan da capa, ficarei agradecido. Meu e-mail é takeomaruyama@hotmail.com

 

O segundo número já está no forno e o terceiro está sendo elaborado. Conto com o apoio de todos para fazer dessa revista um sucesso! Se a revista vender pouco, ela vai parar no #5, por isso se vocês quiserem que filmes de artes marciais continuem saindo nas bancas...

 

PRESTIGIEM!!!

SEVEN SWORDS

Primeira Impressão

Eu estava bem ansioso para conferir esse filme, não nego! Depois das más experiências hollywoodianas, uma volta às origens de Tsui Hark era mais do que bem vinda.

Os sete guerreiros

Quem acompanha sites de filmes asiáticos já deve ter lido resenhas nada boas sobre esse épico. Adjetivos como “pretensioso”, “confuso” e “decepcionante” foram os mais comuns, por isso eu já fiquei esperto e fui ao cinema não esperando muita coisa. Talvez por causa disso agora eu ache que a maioria das críticas foram injustas.

Tsui Hark andou declarando à imprensa que Seven Swords seria a resposta chinesa à trilogia O Senhor Dos Anéis, e Donnie Yen disse em várias entrevistas que Seven Swords ia ser uma obra tão ou mais grandiosa do que Herói e O Clã Das Adagas Voadoras, e que acreditava que superaria o primeiro nas bilheterias. Na minha humilde opinião, acho que foram essas declarações que criaram expectativas além do que o filme merecia.

Antes de mais nada, Tsui Hark tem um estilo completamente diferente de Zhang Yimou. Ao contrário de Yimou, Tsui Hark já produz wuxia há mais de 20 anos. A fotografia, como era de se esperar, é soberba. Porém, não espere aquela exuberância de Herói e O Clã Das Adagas Voadoras. O visual de Seven Swords tem muito mais a ver com The Blade-A Lenda, do próprio Tsui Hark, do que com os épicos de Yimou. Enquanto Yimou trabalha mais com cores vivas, Hark prefere algo mais cool, trabalhando com luzes e sombras.

No século XVII, com o fim da dinastia Ming, os manchus tentam dominar toda a China. Numa tentativa de conter os revolucionários, o Imperador Ching decreta uma lei que obriga todos os praticantes de artes marciais a entregarem suas armas se não quiserem ser executados. Mas logo o povo descobre que mesmo que se rendam, acabam sendo massacrados pelo oficial Fire-wind.

O veteraníssimo Lau Kar Leung é Fu Qingzhu, um revolucionário que decide acabar com esse massacre recrutando mais 6 lutadores mortais, cada um com uma espada especial forjada pelo mestre Shadow-glow, um eremita que dedica sua vida à produção de espadas invencíveis.

Bem, essa é o enredo básico do primeiro filme da hexalogia. Hexalogia? É isso mesmo, Tsui Hark planeja fazer seis filmes em cima desse livro! Mas tudo depende da aceitação do público. Ao que parece, Seven Swords não está tendo toda a badalação esperada, provavelmente devido às críticas ruins.

A vilã mais bacana do filme

O que muita gente não entendeu é que essa é uma história muito longa e complexa, e dificilmente poderia ser resumida em duas horas e meia. Uma das críticas mais comuns é a de que os personagens não estão bem desenvolvidos, mas pô, são SETE HERÓIS! Tsui Hark acaba se concentrando mais no trio Donnie Yen/Leon Lai/Charlie Yeung, e acredito que nos outros filmes da série ele vá trabalhar melhor os outros personagens.

O desenrolar da história é meio confuso, e aos poucos Hark vai jogando flashbacks na tela, o que quebra um pouco o ritmo de algumas cenas.

Agora, não vamos ser hipócritas: qual é a parte mais aguardada por todos vocês? A das lutas, é claro! E nesse quesito ninguém vai ter do que reclamar pois Lau Kar Leung fez um ótimo trabalho. Quando foi anunciado a parceria Hark/Leung algumas pessoas (eu incluso) estranharam essa combinação, afinal o estilo de filmar ação de ambos é completamente diferente. Inicialmente Leung tinha recusado o convite de Hark pois achava o estilo de suas lutas muito fantasioso, ao contrário das própias, que são mais realistas. Mas Hark foi tão insistente que, com um empurrãozinho de Ti Lung, Leung aceitou o convite e encarou Seven Swords como um grande desafio. Coreografar lutas de sete espadachins de estilos diferentes não seria nada fácil, mas com a ajuda de coreógrafos experientes como Donnie Yen, Xiong Xin Xin e o próprio Tsui Hark, o resultado ficou magnífico!

 

E o que é melhor, o uso de cabos está bem discreto! Não tem ninguém voando feito Super-Homem. Os cabos são usados mais para realçar saltos e facilitar os atores em cenas mais incômodas, como na seqüência final em que Donnie Yen luta contra Sun Honglei num corredor estreito, ambos escalando as paredes.

 

Outra detalhe que gostei muito nas lutas é que elas não são todas em câmera lenta como em Herói. Esse recurso só é usado para destacar os golpes mais bonitos ou violentos.

 

Falando em violência, Seven Swords está cheio de mutilações e decapitações (mas curiosamente com pouco sangue), cortesia de Fire-wind, um dos vilões mais memoráveis dos últimos tempos. Assim como em The Blade-A Lenda, o vilão é cruel inclusive com seus próprios homens. Numa cena em que ele tenta estuprar a escrava coreana Green Pearl (Kim So Yeun), um de seus soldados interrompe-o para dar um aviso importante. Ele deixa a garota pra depois e vai resolver o problema, mas não sem antes cortar a garganta desse soldado por ter interrompido a diversão!

 

Essa mesma escrava coreana é liberta das garras de Fire-wind por Donnie Yen, que interpreta Chu Zhaonan, um espadachim coreano. Logicamente os dois se apaixonam. É muito interessante ver Yen falando coreano, embora eu tenha tido a impressão de que essas falas são dubladas pois seu rosto nunca é mostrado claramente durante os diálogos.

Donnie traçando Kim So Yeun

Não posso deixar de destacar também o belo design das espadas. Cada uma delas tem uma peculiaridade, e as mais bacanas são as que pertencem à Wu Yuanyin (Charlie Yeung) e ao Mulang (Duncan Chow).

Charlie Yeung

A de Charlie é a primeira da esquerda, cuja lâmina desliza pra frente e pra trás do cabo e é de difícil manuseio devido ao ponto de equilíbrio instável. Ela passa o filme inteiro se atrapalhando toda para usá-la e só a domina no final.

Leon Lai ensinando a Charlie Yeung o modo correto de usar sua espada

A de Duncan é a primeira da direita, que possui uma peça redonda no meio que serve para alternar o balanço dela, e se divide em duas lâminas, uma longa e outra curta. É a mais engenhosa de todas.

 

Enfim, Seven Swords é um ótimo filme. Reconheço que é um pouco lento e infelizmente não possui muitas cenas de luta, mas é uma bela obra pra ser curtida no tela grande do cinema. Talvez quando eu conferir novamente em DVD tenha uma outra impressão, mas nessa primeira assistida gostei bastante.

 

Nota : 8.0

 

Curiosidade

Tsui Hark

Em meados da década de 70, a TVB de Hong Kong fez uma adaptação pra TV de uma novela do escritor Liang Yusheng (o mesmo de Seven Swords) chamada Jade Bow. Tsui Hark tinha se candidatato para dirigir essa série mas foi dispensado pela alta-cúpula da TVB por não ter experiência com wuxia. Esse episódio marcou tanto Hark que desde então ele decidiu produzir wuxias cada vez mais espetaculares. Hoje ele é um dos pais do wuxia pien moderno.

Capas Parecidas 2

MAIS CAPAS PARECIDAS

Esqueci de incluir essas duas capas no post anterior sobre o assunto. Vai agora mesmo!

Essa primeira capa é do DVD japonês de O Jovem Mestre Do Kung Fu (Young Master, 80), que nada mais é do que o poster original. E do lado, o DVD brasileiro do horroroso The Killer Meteors (78), simplesmente o PIOR filme de Jackie Chan da fase Lo Wei, e olha que essa fase produziu muito filme ruim! Lançado em VHS no Brasil originalmente como A Vingança Do Kickboxer (sendo que de kickboxer não tinha nada!), na TV passava no SBT como O Meteoro Assassino, e em DVD foi rebatizado como Golpes Mortais.

[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número:



 
UOL